A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 22/03/2025

Cegueira. Alienação. Egoísmo. Essas palavras marcam o grupo fictício do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, do pensador José Samarago, que retrata uma sociedade cega moralmente e egoísta. Embora seja fictícia, a produção apresenta características que se assemelham à comunidade brasileira, pois, assim como na obra, os brasileiros, através da perpetuação de estereótipos e inacessibilidade de direitos, tem lesado seu povo originário cotidianamente, o que é inadmissível.

A priori, é possível citar a permanência de preconceito contra os indígenas, uma vez que eles são prejudicados pela prática banalizada atualmente. Sob esse viés, o corpo civil nacional pratica a discriminação - exclui e impõe estigmas sobre essa minoria, de forma que eles fiquem limitados a uma visão tradicional na qual o indígena é frágil e incapaz de contribuir socialmente. Nesse prisma, a nação pratica a dita violência simbólica, teoria do sociólogo Pierre Bourdieu, uma forma de opressão sobre a dignidade de indivíduos, esse ato, apesar de pouco debatido no Brasil, segrega, lesa e desrepeita esses indivíduos diretamente. Dado o fato, evidencia-se a consequência do período colonial da antiga América Portuguesa.

Somado a restrição crônica de direitos a minorias, a situação precária dos povos indígenas não só é mantida, como agravada. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as Instituições Sociais que não cumprem o seu dever social, são, em suma, fantoches, analogamente, o Estado - tendo por finalidade a promoção dos direitos humanos, é um exemplo dessa teoria. Pois, à medida que os originários ainda enfrentam a violação de seus direitos, a falta de acesso a serviços públicos e condições dignas de vida- saúde e educação, infelizmente, permitindo a invisibilização deles e mostra a inconsistência governamental contemporânea.

Por tanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para corrigir esse entrave. Assim, a fim de combater estereótipos promover educação intercultural, o Governo Federal - na função de provedor do bem-estar social-, deverá, por meio de parceria entre canais de comunicação e redes sociais, divulgar propagandas periódicas educativas, as quais deverão abordar os malefícios da exclusão, importância e contribuição indígena e conscientização a cerca da pauta. Desse modo, será possível “distaciar” a realidade brasileira da obra de Saramago.