A realidade da escola inclusiva no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Segundo Thomas Hobbes, é papel do Estado manter o bem-estar social. Analogamente a isso, a escola, como parte imprescindível do Governo, deve ditar regras, a fim de minimizar a violência, os preconceitos e as desigualdades. Todavia, no século XXI, casos de bullying e homofobia, por exemplo, são frequentes nas salas de aula brasileiras, ou seja, o papel estatal não é plenamente executado. Dessa forma, a falta de inclusão, nas escolas, de indivíduos diversificados e a manutenção de pensamentos preconceituosos enraizam essa problemática.

A priori, deve-se analisar o plano político, que corrobora a homogeneização da sociedade. Segundo o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, tudo o que é feito no mundo impacta na vida dos outros na era da Globalização. Nesse contexto, os indivíduos seriam interligados, independentemente de suas diferenças. No Brasil, entretanto, o Governo pouco se mobiliza acerca da necessidade de incluir as minorias, como consequência, a área educacional também não é inclusiva e testemunha, diariamente, cenas de intolerância devido à falta de incentivos governamentais à aceitação das diferenças e ao engajamento global mencionado pelo sociólogo.

Ademais, vale ressaltar a importância do plano social na manutenção da exclusão nas escolas. No campo de estudo antropológico, cultura é um conjunto de modos de agir e de pensar construído e transmitido no sustento da sociedade. Nesse sentido, muitas práticas consideradas culturais são, na verdade, heranças preconceituosas e intolerantes que se perpetuam no cotidiano. Dessa forma, com as ideologias ultrapassadas em mente, é evidente o porquê dos altos índices de evasão escolar, já que muitos brasileiros são vítimas de agressões, diariamente, no ambiente estudantil.

Por conseguinte, a falta de diversidade na educação brasileira é fundada nos planos sociais e políticos. Dessa forma, a fim de maximizar a presença das minorias na instituição escolar, o Ministério da Educação deve elaborar campanhas que enfatizem a necessidade de respeitar e acolher todo tipo de diferença, por meio de propagandas nas mídias, que são o principal meio de conscientização nacional. Além disso, o Governo deve promover cursos de especialização que instruam profissionais da educação acerca de melhores maneiras de acolher, inserir e ensinar aqueles que são marginalizados pela sociedade. Dessa forma, o Estado se aproximará da teoria hobbesiana.