A realidade da escola inclusiva no Brasil

Enviada em 30/03/2020

O filme “Hoje eu quero voltar sozinho” mostra o cotidiano de um jovem rapaz deficiente visual e ressalta que essas pessoas possuem as mesmas dificuldades de que é “normal”, porém precisam lidar com a exclusão social. Não obstante, a inclusão de alunos com necessidades especiais em escolas regulares,apesar de ser um direito garantido pela lei 7.853 de 1989, ainda não é uma realidade e demonstra uma forma de exclusão social, evidenciada pelo modo de avaliação das escolas nacionais que não favorecem a participação de pessoas deficientes no âmbito educacional, bem como a falta de capacitação de professores para atenderem esse público.

Primeiramente, é necessário notar que o método avaliativo educacional é insuficiente. Ora, o modo comparativo de avaliação vigente ignora o fato de todo indivíduo ter suas próprias vivências e experiencias, ou seja, ele é preconceituoso ao ditar que todos devem ser ou aprender da mesma forma. Além disso, conforme Howard Gardner, há vários tipos de inteligência(como a espacial, musical, intrapessoal e interpessoal), enquanto que a escola analisa somente a linguística e lógico-matemática,não justificando, portanto, o modo nivelador das provas escolares.

Além do mais, a falta de capacitação de professores não favorecem os alunos especiais nas escolas regulares. Segundo um artigo redigido por Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, a grade curricular de cursos de licenciatura possuem poucas matérias voltadas para a parte pedagógica, isto é, não há base teórica suficiente para o professor idealizar como ele deve lidar com os alunos em sala de aula. Dessa forma, aqueles que apresentam maiores dificuldades podem ser ainda mais prejudicados pela falta de preparo do educador.

Portanto, para garantir o cumprimento da lei e a inclusão social de alunos especiais, medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da educação e o Estado, devem promover a presença de indivíduos com dificuldades nas escolas convencionais, por meio de uma reformulação no método avaliativo da educação básica nacional. De modo que, sejam baseados no avanço do próprio aluno, ou melhor, quando ele superar as suas limitações. Essas, podem ser observadas por profissionais(como professores, psicólogos e pedagogos) que terão contato com esse aluno e poderão estabelecer um laudo educacional, com a finalidade de assegurar uma educação mais assistida. Ademais, aqueles agentes também devem viabilizar uma melhor formação de educadores, mediante a inclusão de algumas matérias pertencentes a pedagogia e neuropsicopedagogia na grade curricular de licenciaturas do país, com o objetivo de  prepará-los para as disfunções de aprendizagem encontradas em sala de aula e, também, ajudar os alunos especiais a terem uma melhor assistência.