A realidade da escola inclusiva no Brasil
Enviada em 04/01/2021
O filme “A teoria de tudo’’, baseado na história do físico Stephen Hawking, retrata as dificuldades em meio a sua doença degenerativa. Apesar disso, produziu teorias fundamentais da física moderna. Isso mostra que apesar da impossibilidade de se locomover, Stephen era capaz de prosseguir em uma carreira como cientista e professor. Esse enredo, embora ocorrido, se afasta da realidade no Brasil de portadores com alguma deficiência. Isso se deve sobretudo, a ineficiência das escolas regulares em dar suporte e saber lidar com as necessidades de cada estudante e na falta de investimento do Estado.
A princípio, é fundamental ressaltar que as distinções genotípicas e fenotípicas dos indivíduos tornam-se um critério de diferenciação, e não de exclusão. Nesse sentido, tem-se a necessidade da existência de uma educação inclusiva, abrangendo as distinções e a individualidade de cada educando, visto que, para se haver um ensino de qualidade é necessário despertar o interesse dos alunos, além da eliminação de barreiras que impeçam o aprendizado. Pois, caso contrário, haverá a padronização do ensino e a segregação de alunos levando ao fenômeno da evasão escolar que segundo o IBGE, quase 30% dos estudantes que deixam de ir à escola tem como motivo a falta de interesse.
Ademais, é fundamental apontar a falta de suporte e estrutura para lidar com a diversidade nas escolas regulares do Brasil. Nesse contexto, a constituição de 1988 respalda no Art. 205. que a educação visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Com isso, alunos portadores de deficiências, transtornos e com superdotação precisam de uma educação especializada. No entanto, ainda há um grande impasse no que tange à presença de professores qualificados e especializados, visto que, os professores devem estar preparados para ministrar uma sala em contexto de diversidade e ainda saber modificar, adaptar e trazer estratégias para esse meio. Além disso, a acessibilidade é uma grande questão que deve ser considerada nas escolas de ensino inclusivo tanto em infraestrutura como em tecnologia assistiva.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver esse impasse. Logo, a fim de eliminar as barreiras que impedem o ensino inclusivo no Brasil, urge que o Estado, junto ao MEC(Ministério da Educação e da Cultura), invista na capacitação dos professores de libras, braille e outros especialistas, como também na infraestrutura das escolas com rampas, elevadores e tecnologia assistiva. Diante disso, cabe à escola tornar as aulas dinâmicas de forma que impeça a evasão escolar, isso pode ser feito por meio da interdisciplinaridade e no protagonismo do aluno, deixando as matérias atraentes e garantindo que possam aplicá-las a seu cotidiano. Somente assim, todos os alunos poderão se desenvolver no âmbito escolar e manter seus direitos de acordo com a constituição 1988.