A realidade da escola inclusiva no Brasil
Enviada em 29/03/2021
Durkhein defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre indivíduo. Nesse sentido, pode-se afirmar que um histórico de dominação do individualismo, ampliado pela expansão da defesa da meritocracia, construiu um cenário indiferente as necessidades de pessoas com deficiência que se reflete, portanto, inclusive no sistema educacional contemporâneo. Desse modo, demonstrando um debate indispensável para a coesão democrática.
Primeiramente, cabe destacar o estigma social consequente da progressiva dominação do individualismo sobre sistema educacional. Segundo Bauman, sociólogo polonês, a modernidade é o período em que a expansão da autonomia do homem ganha destaque em relação à vida social. Em consequência, observa-se uma falta de empatia refletida em uma falha preocupante relacionada a abordagem inclusiva dentro das escolas. Alunos com deficiência encontram obstáculos de material, metodologia adequada, equipe especializada e as vezes até estrutura como banheiros adaptados. Esses desafios demonstram um aparelho acadêmico incoerente com um país democrático.
Em adição a essa questão, deve-se considerar a repercussão da meritocracia como elemento da índole do brasileiro contemporâneo. A sociedade meritocrática defende a visão do esforço pessoal como o único elemento a ser considerado na busca por conquistas. Assim, essa mentalidade representa um complexo obstáculo entrelaçado ao funcionamento da sociedade, já que a crença da supremacia do mérito representa um mecanismo de justificação da inércia frente a ações inclusivas.
Todo esse cenário evidencia a necessidade de uma reforma no modelo educacional. Nesse sentido é perceptível a urgência de uma reformulação da estrutura acadêmica atual por meio de um projeto executado pelo Ministério da Educação mediante uma teia de apoio de vários profissionais, objetivando incentivar posturas inclusivas como, por exemplo, ensino de LIBRAS, atendimento psicológico, adaptação do ambiente escolar e monitores. Desse modo, construindo uma abordagem que respeite o princípio da educação como um direito humano e que faça justiça ao significado de uma democracia.