A realidade da escola inclusiva no Brasil

Enviada em 16/09/2021

A educação: inclusiva ou exclusiva?

“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, a fala do filósofo Kant traz a ideia de que o ensino é fundamental para o desenvolvimento do ser humano e, portanto, é necessário se tornar acessível a todos, independentemente de suas condições físicas e psicológicas. Nos dias atuais, a inclusão vem tomando cada vez mais espaço nas discussões acerca do ensino no Brasil, uma vez que, de acordo com o Censo, cerca de um quarto da população do país apresenta alguma deficiência. Porém o governo e as escolas apresentam uma séria falta de preparo para lidar com essa grande parcela populacional, criando assim, um forte capacitismo, ou seja, o preconceito com pessoas deficientes, um grande problema na sociedade brasileira que gera muitos obstáculos para a educação inclusiva.

Em primeira análise, é possível fazer uma alusão à preocupante recente fala do Ministro da Educação, Milton Ribeiro, que afirmou que estudantes com deficiência atrapalham os outros alunos, e que não é possível nem a convivência com esses. Deste modo, é evidente um preconceito com muita força na população e no governo, dificultando cada vez mais o acesso aos portadores de deficiências aos estudos e gerando um déficit na regulamentação de práticas para as escolas, por exemplo, a falta de rampas, melhor sinalização e materiais em braille e a falta de preparo dos profissionais para com estes alunos, a fim de tornar os locais de ensino mais inclusivos para esta fatia da população.

Em segunda análise, a obra literária “Extraordinário” da autora R. J. Palacio, acaba sendo um grande reflexo deste preconceito no ambiente escolar e as superações enfrentadas pelo personagem principal, Auggie. No livro, o menino apresenta uma deficiência genética que acaba por gerar malformações em sua pele, fazendo com que ele sinta que deve esconder-se dos outros para que não o vejam e sobretudo, que evitem comentários desrespeitosos e o bullying. Assim, ele acaba por não se adaptar facilmente ao colégio, sendo excluído e recebendo comentários capacitistas. À vista disso, é clara uma relação aos colégios brasileiros e a sociedade como um todo, que, com pouca preparação, ao invés de ajudar, acabam retransmitindo um comportamento excludente e opressor construído historicamente.

A educação inclusiva é, portanto, algo que ainda há muito a ser trabalhado na sociedade brasileira e mundial, para combater os preconceitos cada vez mais.  Sendo assim, cabe ao MEC (Ministério da Educação), o órgão governamental responsável pela regulamentação do ensino no Brasil, implantar palestras e estudos para os professores e diretores das escolas sobre as deficiências de modo a abrir seus olhos para a diversidade e diminuir o preconceito através de palestrantes deficientes que relatem a expêriencia e sua relação com a escola.