A redução da maioridade penal é uma solução para o fim da criminalidade?
Enviada em 02/06/2021
No livro “Memórias do Cárcere” de Graciliano Ramos, são evidenciadas as experiências traumáticas vivenciadas pelo autor quando estava em regime carcerário. Não obstante, são evidentes os problemas relacionados à violência no Brasil, o que, fomenta discussões acerca da diminuição da maioridade penal como combate a essa problemática. No entanto, tal estratégia pode não ser tão eficiente, visto que o sistema prisional brasileiro possui inúmeras falhas no que tange à infraestrutura e às estratégias de reinserção social.
A priori, convém destacar que a superlotações de prisões é uma realidade no Brasil. Nessa lógica, tal cenário se desdobra nas péssimas condições de vida dos cidadãos reclusos, como a falta de higiene adequada, boa alimentação e atividades de lazer. Dessa forma, a redução da maioridade penal maximizaria ainda mais essa condição e, de certa forma, não seria tão eficaz no que diz respeito à diminuição da violência, pois segundo dados do G1, cerca de 80% dos presos voltam a cometer delitos quando soltos. Nessa lógica, isso acontece, muitas vezes, em virtude dos sentimentos de mágoa e revolta cultivados no período de encarceramento, decorrentes dos maus tratos sofridos.
Outrossim, a falta de estratégias de reinserção social é outro fator determinante. Sob esse viés, é de conhecimento popular que a educação tem fundamental importância na vida e desenvolvimento das pessoas, sobretudo, jovens. Contudo, no regime de reclusão brasileiro, as atividades educativas e meios de conscientização educacional são bem precários, fato que acaba influenciando negativamente o comportamento dos menores infratores dentro e fora das cadeias. Nesse prisma, o sociólogo Alexis Tocqueville, ao observar o sistema carcerário dos Estados Unidos, percebeu que ele influencia diretamente a criminalidade e violência da sociedade. Diante disso, para que a redução da maioridade penal reflita na minimização da violência, é evidente a necessidade ações estatais que revertam a condição atual na qual se encontra as prisões.
Portanto, urge ao Governo Federal, órgão responsável pela administração pública, promover por meio de verbas, a ampliação e aprimoramento das penitenciárias no que diz respeito à infraestrutura, higiene, estratégias educativas e entre outros fatores necessários e determinantes na saúde e bem-estar social dos detidos. Assim sendo, essas ações teriam como objetivo oferecer aos presos, especialmente os jovens, uma boa condição de vida e acesso à educação, para que assim, quando libertos, eles não voltem a cometer atrocidades. Dessa maneira, a redução da maioridade penal poderia diminuir a violência, uma vez que os menores em reclusão seriam educados e se tornariam cidadãos mais civilizados e, como já afirmava Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”.