A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 02/10/2019

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, a personagem principal, de mesmo epíteto do título do livro, é constantemente criticada pela sociedade da época pelo seu exacerbado nacionalismo. Hodiernamente, no Brasil, observa-se diversos problemas relacionados à relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do “complexo de vira-latas”, designação para o sentimento de inferioridade nacional, situação, infelizmente, oposta à observada na literatura. Assim, torna-se fundamental a discussão das consequências desse problema que tem raízes históricas e pedagógicas.

Nesse contexto, o modelo de formação nacional contribuiu fortemente para criar esse sentimento de baixa-autoestima na população brasileira. Segundo Confúcio, “se queres conhecer o passado, examina o presente que é o resultado; se queres conhecer o futuro, examina o presente que é a causa.” Sob tal ótica, o pensamento do filósofo chinês se encaixa na realidade nacional, uma vez que, desde o período colonial, recebemos a alcunha de povo sem etnia - uma mistura de raças - como se a miscigenação que originou o povo brasileiro fosse motivo de demérito. Portanto, é fundamental a dissolução dessa conjuntura para reconstruir a imagem patriótica nacional no espírito da nação.

Ademais, o modelo educacional, ainda vigente, proporcionou um terreno fértil para a relação de inferioridade do brasileiro com sua nacionalidade. Prova disso, é que se estuda mais sobre a  Guerra de Secessão dos Estados Unidos do que sobre o maior conflito armado da América do Sul, travado entre Brasil e Paraguai, o que demonstra, dessa maneira, a supervalorização do que é estrangeiro em detrimento do nacional, desde a formação do cidadão. Além disso, nos estudos de filosofia e sociologia, por exemplo, o conteúdo se limita a nomes como: Adam Smith, Émile Durkheim, August Comte etc, ao passo que, importantes pensadores nacionais como, Mário Sérgio Cortella, Olavo de Carvalho, Marilena Chauí, Luís Felipe Pondé e tantos outros são esquecidos. Dessa Forma, esses fatores atuam negativamente e favorecem a formação de um problema nacional com dimensões cada vez maiores.

Diante desse cenário, é imprescindível que mudanças sejam adotadas para transformar essa realidade. Posto isso, cabe ao Governo, na figura do Ministério da Educação, reestruturar o modelo  de escola atual, por meio de investimento em treinamento de professores, diretores, pedagogos etc, a fim de ensinar nos estabelecimentos escolares a valorização do Brasil, das suas riquezas e dos símbolos nacionais como, o hino, a bandeira e o Brasão de Armas. Para isso, é essencial reformular o ensino de ciências humanas com foco na valorização da história da pátria contada, primordialmente, por historiadores, filósofos e sociólogos nacionais. Espera-se, com isso, que os brasileiros passem a enaltecer a nação em todas as suas qualidades, estimulados, principalmente, pela escola.