A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 27/09/2019
“O sujeito é constituído por identificações advindas da cultura em que está imerso”. Assim disse Sigmund Freud, criador da psicanálise, que tem sua tese cabível no que se diz sobre a relação do brasileiro com sua nacionalidade. Tal questão reflete os efeitos do complexo de vira-latas em que muitos indivíduos designam características negativas ao País, bem como apresentam raiva e frustração quanto à sua nacionalidade brasileira. Tal tema é um desafio ao Poder Público, à sociedade e às instituições educativas. E sua não solução pode causar problemas ao estado, como grupos separatistas.
Em primeiro lugar, a mentalidade dos brasileiros é herança da colonização. A implantação do pensamento de que os brancos eram superiores, bem como o eurocentrismo, que prega a superioridade europeia em relação aos outros povos, são contextos que demonstram a formação do complexo de inferioridade. Monteiro Lobato ao afirmar ser o Brasil incapaz de se desenvolver sem uma raça original reflete a frase usada por Nelson Rodrigues que descreve o brasileiro como responsável por sua má imagem em comparação ao resto do mundo. Neste contexto, Muitos indivíduos atribuem características negativas ao País pela falta de confiança nos políticos.
Em segundo lugar, é importante destacar a parcela de culpa da mídia nesse problema. As propagandas de marcas externas prejudicando as nacionais, causam o abandono de tudo o que é brasileiro e a admiração, principalmente, de tudo o que é estadunidense como produto-modelo. A exagerada presença de estrangeirismos, como a preferência da palavra “sale” ao invés de “promoção”; a presença do hambúrguer no lugar da tapioca tradicional; são práticas que apenas exaltam mais ainda o exterior como modelo. Além disso, os ritmos musicais, como o Samba, assim como as leituras literárias do Brasil, tornaram-se ausentes nas preferências brasileiras. Logo, é indispensável que o Poder Público intervenha por meio de campanhas que tenham como objetivo desmascarar a máxima: “Tudo o que é de fora é bom”, divulgando ideias sobre a nacionalidade e cultura brasileira nas mídias e a convocação de todos a ajudarem neste processo. Cabe ao estado, também, a criação de projetos que estimulem a escolha de bens nacionais, através da redução de impostos sobre os mesmos. Por fim, a sociedade, junto às escolas, deve educar os jovens sobre a sua cultura, exaltando as diferenças e a importância histórico-cultural brasileira. Assim, o complexo vira-latas pode acabar no Brasil de vez.