A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 16/10/2019
“Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança, não verás país como este!”, no poema “A pátria” do parnasiano Olavo Bilac, o autor louva, com fervor, o país verde-amarelo. No entanto, sobretudo hodiernamente, os brasileiros - quase de forma generalizada- mostram aversão às relações como filhos da terra. Isso se dá, em virtude dos elementos antagônicos que sabotam o sentimento nacionalista no Brasil, ora pela ocorrência da influência externa, ora pela vivência do ferimento do preâmbulo constitucional e das convenções sociais.
Em primeiro plano, a facilidade ao conhecimento das circunstâncias e condições externas provocam questionamentos e transformam o amor à terra natal em uma linha tênue. Nessa vereda, o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues expôs o conceito “Complexo de vira-lata”. Segundo o qual, o cidadão brasileiro coloca seu país em posição inferior, esse fator, atrelado aos novos universos culturais a que os sujeitos têm contato demonstram o quão orientado à busca do externo está o brasileiro. Com efeito, a percepção de novas realidades e posterior análise proporcionam uma cultura de desprezo.
De outra parte, a conjuntura de desordem - no que tange a cidadania, a moral, a ética e a malograda corrupção- se mostra, lamentavelmente, se mostra obstáculo ao culto nacional. Nesse viés deletério, bem apresentado na letra da canção “Que país é esse?” do grupo Legião Urbana demonstra a inconformidade do panorama vivenciado com a expectativa da nação. Dessa maneira, é imperiosa a necessidade de ressignificar as relações homem-pátria.
Depreende-se, pois, a urgência de desconstruir tal celeuma no Brasil. Para esse fim, as instituições pedagógicas devem abordar a temática no âmbito educacional, por meio de práticas com viés lúdico e participativo, tais como elaboração de cartazes e peças de teatro, com o objetivo de provocar estímulo ao sentimento nacionalista e patriota independente do cenário atual, visto que os indivíduos infantes e juvenis poderão com propriedade reverter o quadro nefasto. Feito isso, não apenas crianças, mas todos os brasileiros terão, veementemente, orgulho e amor pela sua pátria.