A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 23/11/2019
É inegável que a derrota sofrida pela seleção brasileira contra a uruguaia, deixou marcas profundas nos brasileiros tendo em vista que uma das maiores paixão no país é o futebol. O escritor Nelson Rodrigues sabiamente disse após o ocorrido: o complexo de vira-latas. Essa frase não remete apenas a perda de um título e sim a uma questão que vai muito além, desde a valorização da própria nacionalidade a autoestima do povo brasileiro quando se comparam a outros.
O preconceito contra a nacionalidade possui raízes antigas, visto que, durante a Era Vargas, o país utilizava políticas de incentivo à imigração europeia, tendo em vista o ‘‘branqueamento da raça nacional’’. Nesse contexto, percebe-se que a mentalidade de inferior persiste, haja vista a visão eurocêntrica do cidadão, no qual a adoração por bens europeus é notável como, por exemplo, pelas vestimentas francesas. Soma-se a isso, o fato da corrupção política tornar-se indenitária no país, pois, para muitos, sinônimo de Brasil é corrupção. Afinal, de acordo com o site IstoÉ, de 2015, 1/2 das pessoas entrevistadas associam a imagem nacional com a desonestidade.
Além disso, vale pontuar, que com o advento da Globalização, a entrada demasiada dos bens de consumo estrangeiros facilitou o processo de perda da identidade nacional, com uma crescente valorização de filmes, obras e culturas internacionais inseridas no país, esmagando a produção brasileira. Sendo assim, o ‘‘complexo de vira-latas’’ acaba sendo perpetuando diante desse cenário que desvaloriza a própria identidade.
Diante dos fatos supracitados, espera-se a consonância entre União e Ministério da Cultura, tendo em vista o subsídio, mediante arrecadação de impostos, do investimento em produções culturais nacionais, como teatros, filmes e produtos artesanais brasileiros, no intuito de fomentar a industria nacional, valorizando-a. Ademais, a mídia deve divulgar campanhas sobre a importância do voto consciente, haja vista a responsabilidade civil em propiciar que o ‘‘complexo de vira-latas’’, diante da corrupção, seja evitado.