A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 28/07/2020

“O brasileiro é um narciso às avessas”. Essa frase, atribuída a Nelson Rodrigues, escritor nacional, reflete um traço bem característico da personalidade de boa parte das pessoas de sua pátria: o brasileiro, em muitas ocasiões, cospe na própria imagem ao invés de admirá-la. Essa condição de repulsa pelas coisas nacionais, e admiração pelas estrangeiras, tem raízes históricas e culturais complexas, que explicam sua origem.

Primeiramente, é importante frisar que o Brasil nasceu, como colônia, em um sistema econômico mercantilista. A lógica desse sistema era que o país explorado só podia comprar os produtos do país explorador, com a proibição da produção local. Com base nisso, constata-se que esse mecanismo, mesmo que forçado, favoreceu a valorização de produtos importados, surgindo, deste modo, o embrião da ideia de que os produtos estrangeiros são melhores.

Em segundo lugar, é imperioso atentar para os processos de aculturação promovidos pelas grandes potências econômicas para vender mais produtos. Isso se deu por meio da influência de suas músicas, filmes, modas, comidas, carros e eletrodomésticos, fazendo com que as nações em desenvolvimento, como o Brasil, tivessem forte assimilação de seus hábitos e costumes. Isso fomentou o consumo e a dependência por esses produtos, que, por vezes, eram mais baratos e de melhor qualidade, em detrimento dos nacionais.

Nesse contexto, essa valorização por tudo o que é estrangeiro, com inferiorização do nacional, o chamado “complexo de vira-lata”, rebaixa a cultura do país frente ao mundo. No entanto, esse sentimento de inferioridade deve ser revisto, pois o brasileiro “tem excesso de talento”, segundo o próprio Nelson Rodrigues. Com efeito, notórios são seus prodígios, como as invenções do avião e do carro biocombustível, que, aliás, não foram reconhecidos de forma contundente pelo mundo.       Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tal complexo de inferioridade. Para tanto, o Ministério da Educação deve implantar nas escolas de ensino primário, fundamental e médio, a disciplina “Cultura do Brasil”, para que forme pessoas mais conscientes da cultura de seu país, e que a valorizem. Paralelamente, o Governo Federal deve promover incentivos fiscais para as instituições ligadas à produção cultural e indústria nacionais, de modo que seus produtos tenham maior competitividade.