A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 05/10/2020

O quadro “Abaporu”, da pintora Tarsila do Amaral, iniciou o movimento “Verde-Amarelismo” na Semana de Arte Moderna do Brasil, trazendo como principais reivindicações o desapego de padrões europeus e maior autonomia nacional. Entretanto, após um século desse evento artístico, os brasileiros afastam-se cada vez mais do reconhecimento de suas posses e qualidades. Nesse sentido, seja pela construção imperialista de superioridade europeia ou pela falta de ingerência governamental no setor público, a baixa auto estima civil danifica o desenvolvimento do país e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar que o complexo de inferioridade latino-americano faz parte de um projeto político. À medida que a Segunda Guerra Mundial instaurou-se, as potências mundiais preocupavam-se incansavelmente com a aquisição de mais mercado consumidor e áreas de influência. Assim, o Brasil tornou-se um dos maiores consumidores de produtos e culturas externas, tendo como consequência a desvalorização dos artifícios locais. No entanto, os próprios estrangeiros elucidam a elevada beleza brasiliense, ao passo que lotam carnavais e viradas de ano no território. Desse modo, reforçar aos cidadãos a qualidade do continente brasileiro e de suas produções é fundamental para amenizar a supremacia de outras nações.

Ademais, o cenário crítico dos serviços gratuitos contribuem para a sensação de deslegitimidade popular. Conforme os hospitais públicos lotam-se e e escolas estão sucateadas, a falácia de vantagem externa é instituída. Dessa maneira, a exaltação do  “American Way Of Life”, disseminado por séries e filmes pós Segunda Guerra Mundial, é embasado pela pobre política de assistência nacional. De acordo como filósofo John Locke, porém, é dever do Estado proporcionar o bem estar civil mediante ao contrato social. Logo, o funcionamento do governo como um todo é essencial para que a população sinta-se digna e reconhecida.

Portanto, ações são necessárias para que a crença no potencial brasileiro seja novamente reascendida. Dessa maneira, criar propagandas que ilustrem a hospitalidade, bem como a riqueza das paisagens e floras tupiniquins, por meio de iniciativas publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister no intuito de reconstruir a auto estima cidadã. Para isso, a renda do SuperMinistério da Cidadania serviria como custeio. Outrossim, o acompanhamento do Poder Judiciário dos deveres executivos, por intermédio de visitas aos centros de saúde e educação e maior punição das infrações, é indispensável para elevar a crença social no país. Apenas assim o talento de Tarsila não irá restringir-se a um quadro: Também refletirá sua intenção de emponderar o Brasil.