A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 02/05/2021

Fabiano, protagonista em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é submetido aos obstáculos da sociedade “reificada”, a partir dos quais ele se sujeita aos imperativos da necessidade e da escassez. Fora da ficção,  é fato que a realidade apresentada por Ramos pode se relacionar ao complexo de vira-lata dos brasileiros, visto que o dercurso histórico e a banalização com os cidadãos, enquanto instrumentos de influência, se fazem determinantes para o sentimento de inferioridade coletiva. Nesse contexto, faz-se mister analisar tais fatores, que corroboram ativamente para a inferiorização dos brasileiro com relação a própria nacionalidade: em seus aspectos mais subjetivos.

Mormente, convém ressaltar que o problema advém, em muito, do passado. Nesse sentido, o advento desse fato decorre da desigualdade endêmica herdada do período colonial, no qual prestígio social, como o poder de consumo e a educação, era detento a grupos dominantes —imperadores, europeus, senhores de engenho, entre outros—, uma vez que outras parcelas sociais eram vistas mais como “seres inferiores” que como outros seres humanos. Desse modo, faz-se pertinente depreender que, ao prorrogar o contexto outrora constituído, tem-se expressivo cenário de aculturamento dos brasileiro médio em se inferiorizar diante de povos mais “prodigiosos”, que é humilhante, injusto e opressor, o que, infelizmente, perdura.

Por conseguinte, verifica-se insignificância com a nação. Em consonância a isso, a jovem Geísa Gonçalves —reprimida, subjugada e alvejada por quatro vezes com tiros— e a dona Cláudia Silva —desmoralizada, dilacerada e arrastada por uma viatura —  são casos que comprovam a banalização com o ser conservada por esse modelo classista e repressor, bem como elucidam a subalternidade presente na cultura verde-amarela. Dessa forma, tais banalidades integram a marginalização da identidade, tendo em vista que se a população compreende que ser brasileiro é sinônimo de viver uma vida perigosa, desigual e abusiva, de que maneira o indivíduo sentiria orgulho de seu país? Assim, esse cenário sórdido e condenável estabelece a estigmatização do brasileiro.

Portanto, o Estado, por intermédio da verba pública, deve investir nas áreas da saúde, da educação, e do trabalho, com intuito de tornar esses direitos civis mais acessíveis a todos, além de investir na segurança pública para que, então, o número de violência e de assalto atenue-se. Outrossim, cabe à escola incluir na grade escolar, desde a tenra idade, cursos, de cunho obrigatório em função da sua urgência, os quais visem ao desenvolvimento de orgulho e de devoção à pátria, a fim de conscientizar os estudantes. Feito isso, viveremos em país digno, justo e democrático e, será possível transpor o complexo de vira-latas presente na subjetividade dos “Fabianos” espalhados além da ficção.