A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 10/06/2021
Na última década, o Brasil passou por diversas alterações políticas e transformações sociais, e isto levou à aspiração de um debate público com maior liberdade, o que viabilizou a popularização das redes sociais e veículos de imprensa. Essas alterações fizeram com que uma infinidade de informações vindas do mundo inteiro circulassem entre a população, em sua maioria, escândalos políticos que mancharam a imagem do país no exterior. Como resultado, a obsessão da mídia em noticiar tragédias aos seus espectadores fez com que fortalecesse na opinião pública um senso comum de que o Brasil está sempre no rumo errado, isto fez com que o longevo termo “complexo de vira-latas” que resume esta ideia, voltasse a ser relevante nos dias atuais pois define precisamente o quão pessimista e inferior os brasileiros se posicionam frente aos estrangeiros.
Com o intuito de averiguar a relação dos povos com suas nacionalidades, um estudo global do Ipsos com 24 países concluiu que o Brasil possui a população com piores perspectivas de futuro dentre os locais analisados, com 81% de desconfiança no governo, 67% de descrença na mídia e sentimento de decadência econômica do país. Portanto, a pesquisa comprova que há uma grande massa de pessoas sob o efeito do “complexo de vira-latas”, ou seja, não tentam promover mudanças por não terem expectativas de sucesso. A exemplo disso, o Brasil nas eleições realizadas em 2020 registrou um recorde de abstenções, com 29,5% mesmo com o vigor da lei do voto obrigatório, e também registrou a maior taxa de reeleição de prefeitos dos últimos 12 anos.
Além disso, uma pesquisa local conduzida pelo jornal Época, do grupo Globo apontou que 91% dos brasileiros acham que países europeus lhes oferecem melhores condições de vida que seu país natal, além de 90% ter vontade de sair do Brasil e levar consigo a família para uma vida nova. Em suma, o país vive uma grave crise de incerteza que abrange todas as classes sociais, e isto apenas contribui para a degradação da imagem deste aos olhos do resto do mundo. Diante disso, nos últimos anos o Brasil caiu 7 posições no ranking de poder do passaporte segundo a revista Forbes, e durante a pandemia de 2020, brasileiros foram impedidos de entrar em mais de 40 países, tendo sido vistos como refugiados. Nesse sentido, urge que é dever do Estado que seus serviços sejam eficientes e funcionais, de modo a conquistar uma boa avaliação da população. Entretanto a ineficácia estatal tem como resultado o “complexo de vira-latas” e uma desconstrução social e a falta de perspectivas do povo. De modo a recuperar sua credibilidade de modo mais eficaz, o governo deve reduzir sua influência desnecessária sob a população, assim tirando de si a culpa por muitos problemas de eficácia de serviços como o transporte público, e utilizando as verbas economizadas no aprimoramento da justiça e segurança.