A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 09/06/2021

A cultura de outros povos está presente no dia a dia dos brasileiros, e com o avanço das indústrias, a tecnologia, e, principalmente, importação de produtos estrangeiros, os brasileiros estão maravilhados com aquilo que vem de fora do país. Segundo Nelson Rodrigues, o Brasil passa por um trauma que ele define como “complexo de vira-lata”, um pensamento que inferioriza o brasileiro diante do resto do mundo. Tendo origem na derrota de 1950 no estádio de Maracanã, esse pensamento não se limita apenas ao campo futebolístico. As pessoas inferiorizam o país e negam o que há de bom, de tal modo que isso se torna uma ferida que atrapalha a nacionalidade, e também o desenvolvimento socioeconômico.

Uma pesquisa realizada pela consultoria BrandAnalytics confirma que muitos brasileiros atribuem características negativas ao próprio país sendo individualistas, desacreditando de coisas boas que possam ser associadas à nação. Simultaneamente com isso, a definição de si mesmos é positiva. Sem ressaltar que a autoconfiança e a desconsideração em relação ao governo são pontos fortes também. João Bico de Souza, dono da Tecnolamp, empresa relacionada ao setor de iluminação pública, começou a trabalhar aos 15 anos como balconista, e aos 22 já atuava como empresário. Segundo ele, faltou apoio do governo e foi tudo graças ao seu grande esforço.

O individualismo exacerbado resulta em organizações sociais e governos frágeis, e ganha forças em razão do complexo de vira-latas e desgosto com os rumos do país. O desenvolvimento do Brasil nos últimos anos é uma das causas desse desgosto, com a tecnologia e o acesso à informação, consegue-se conhecer outras realidades diferentes, e até melhores. Pode-se explicar tal desgosto com o que o economista Albert Hirschman chama de “efeito túnel”, que segundo ele, há uma baixa tolerância das pessoas com a própria realidade quando se deparam com outra melhor. Ademais, segundo o publicitário Pedro Henrique Ramos, profissionais de considerável sucesso no Brasil largam tudo para tentar outras coisas do exterior, buscando fugir das certezas desagradáveis do próprio país.

Portanto, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação invista em um processo de educação que esteja mais orientado a explicar aos alunos que o Brasil tem vários pontos positivos, apesar do que há de ruim. Também é essencial que os alunos sejam informados a respeito da propagação desse desgosto, sua origem, relações com o complexo de vira-lata e as consequências deste para o país. Ademais, é indispensável que o Estado invista em publicidades que também mostrem o valor do que há de bom na nação.