A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 10/06/2021

Em 1950 a seleção brasileira enfrentou o Uruguai na final da copa do mundo de futebol, e perdeu o jogo por 2 a 1. Essa derrota impactou tanto o brasileiro que sua auto-estima desceu. Esta derrota é usada como base à Síndrome de Vira-Lata, termo criado por Nelson Rodrigues, no livro “A sombra das chuteiras imortais”, que demonstra este sentimento de inferioridade do povo brasileiro. Como descrito por Nelson, esta síndrome não apenas se encontra no futebol, como se encontra em cada brasileiro, que não considera sua cultura e a menospreza, entendendo que outros países estão mais avançados. “É um problema de fé em si mesmo, o brasileiro precisa se convencer de que não é um Vira-Latas e que tem futebol para dar e vender” é um trecho do livro de Nelson, expondo que o Brasil tem sim seu potencial, mas os brasileiros sempre agem com “tinha que ser nesse país” ou quando alguém ia morar em londres ou nos estados unidos “finalmente saí de lá. Ufa”. E esse sentimento apenas é retomado, no caso mais recente, a pandemia do covid-19 traz uma imensa insegurança ao brasileiro que a respeita, que vê os outros países em estados de segurança e o Brasil em estado crítico. Um dos fatos que evidencia esta síndrome é a fuga de cérebros, ou seja, a ida de seres intelectuais brasileiros para outros países, para assim conseguirem novas oportunidades. No brasil esta fuga teve, de 2011 a 2018, um aumento de 184%. Com isso o brasil sempre parece como a opção errada e cada vez menos intelectuais se instalam no brasil, evoluindo cada vez mais a síndrome de vira-latas. Com esta necessidade da exterior, presente desde a época colonizadora, com os processos de miscigenação e com o fim da monarquia, marcada por um nacionalismo confuso, o brasileiro se encontra com filósofos que trazem ideias do exterior, cientistas que se baseiam no que é descoberto em outros países, culturas disseminadas pelo estrangeiro, como o futebol, muito baseado no europeu. Dessa maneira, a cultura nacional se perde e é desmerecida, como se fosse algo que não é de se admirar. Para solucionar a síndrome de vira-latas, o brasileiro procura fugir, pois apenas fora do Brasil se encontra prosperidade. Já o historiador cearense Capistrano de Abreu diz que é necessário que “todo brasileiro seja obrigado a ter vergonha na cara” seja a nossa constituição federal. Para amenizar este problema que nos foi concebido indiretamente, é necessário um melhor entendimento da cultura, com exposições puramente brasileiras, como na Semana da Arte Moderna de 1922, que teve o intuito de abrir espaço à arte brasileira. Com ações como esta, o brasileiro vai conseguir aumentar sua auto estima e, gradualmente, ser um atacante que só pode ser parado por 10 outros.