A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 06/09/2021

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago, ressalta a importância de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica uma espécie de cegueira social que impede o indivíduo de enxergar problemáticas como o complexo de vira-lata que o brasileiro possui seja devido ao contexto histórico de dominação e a manipulação neoimperialista.

A priori, é possível considerar que o complexo de vira-latas já se iniciou com os povos originários desde sua dominação portuguesa. Neste contexto, os indígenas foram catequizados a força com a alegação que suas praticas religiosas eram pagãs. Ainda nesse sentido, posteriormente foram obrigados a falar o português e esquecer o tupi, hoje considerado uma língua morta. Assim, essa perda do sentimento nacional e de pertencimento a terra devido a linguagem ficou evidenciada no livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto. No livro, a crítica magistral de Barreto é expressa no ato de Policarpo realizar uma petição publica para a volta do idioma, tendo sido ao fim considerado motivo de chacota. Infelizmente, ainda há uma desvalorização linguística ao usar a língua hegemônica vigente, que fica evidenciada no uso do inglês para palavras que já existem no português como “delivery” ou coffe break”.

Ademais, para o sociólogo Jessé Souza, esse apagamento do valor de nossa cultura e povo é uma obra neoimperialista fomentada pelos Estados Unidos, caracterizada pelo slogan “American Way of Life”. O termo, ficou mais forte com as Revoluções Industriais e após a Guerra Fria. Assim, para Jessé, o Brasil se mante agrário, pouco industrializado e o povo brasileiro mantem a ideia de que produtos bons são os americanos como a Apple, Amazon entre outros. Desta forma, sustenta cada vez mais o mercado americano e mantem o Brasil em controle dele.

Portanto, diante do que foi exposto medidas precisam ser tomadas para que essa cegueira social termine. Cabe ao Estado, por Meio do Ministério da Educação fomentar a valorização da cultura nacional. A priori, tal ato pode ser iniciado pela valorização da história brasileira, por meio de apoio financeiro a historiadores como Eduardo Bueno, que divulga fatos históricos brasileiros que não são ensinados na escola e são esquecidos porque não “cai no Enem”, como ele mesmo diz. Ainda nesse contexto, deve ser ofertados cursos de pós-graduações com foco na história local. Também, deve ser feita a criação de oficinas culturais, com dança, comida típica e intercambio de culturas regionais. Assim, talvez o povo tupiniquim possa se livrar de seu complexo de vira-lata.