A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 21/05/2022
A Globalização, fenômeno de integração geopolítica, proporcionou o processo de massificação e alienação cultural, permitindo a formação de um falso sentimento de inferioridade artística, política e social de alguns países. Nesse contexto, o brasileiro constrói uma relação frágil com a sua nacionalidade ao considerar-se inferior aos demais, característica conhecida como complexo de vira-latas. Dessa maneira, pode-se notar alguns efeitos provocados pela problemática, como a depreciação da identidade nacional e, por outro lado, a valorização do estrangeirismo.
Primordialmente, deve-se atentar a visão que o complexo de vira-latas produz sobre a identidade nacional. O Movimento Modernista de 1922 buscou, por meio de novas formas artísticas, consolidar a concepção cultural genuinamente brasileira, trazendo, como temática, o nacionalismo. Entretanto, é possível notar que, atualmente, após 100 anos do movimento, os indivíduos ainda sentem-se inferiores comparados a outras culturas. Assim, percebe-se que parte do sentimento de baixo autoestima é causado pela condição política e social do Brasil: corrupção, preconceito, desigualdade e violência.
Cabe analisar, também, o espaço adquirido gradualmente pelas manifestações do estrangeiro nos costumes nacionais. Em seu livro “Brasil: uma biografia”, a historiadora Lilia Schwarcz aponta a herança histórica deixada por outros povos e a maneira como a cultura do exterior se tornou fundamental na consolidação da síndrome de vira-latas. Desse modo, o brasileiro promove a autodepreciação em simples atitudes, como, por exemplo, uso constante de palavras em outras línguas, ou a necessidade de afirmar ser descendente de outras nacionalidades.
Portanto, medidas devem ser tomadas para proporcionar uma maior valorização nacional, a fim de aumentar a autoestima do brasileiro. Para isso, o Estado, principal promotor do bem-estar social, deve, em parceria com as Secretarias Municipais de Educação, promover a conscientização da população na afirmação de sua própria identidade, por meio de campanhas e atividades sociais. Sendo assim, pode-se esperar a redução da problemática, além de evitar o domínio massificante da globalização.