A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 23/05/2022

Consoante o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, a sociedade tornou-se, no âmbito de suas relações pessoais, maleável e fugaz. Esse panorama, infelizmente, transpôs-se para fora do Brasil, e se manifesta nas interações internacionais, configurando um cenário no qual o povo brasileiro sempre considera a si mesmo como inferior perante outros países. Tal infeliz realidade, por sua vez, é condicionada por diversos fatores, como a intensa valorização do exterior nas redes sociais, além da ideologia capitalista, que defende a superioridade dos produtos importados. Assim, faz-se urgente a solução dessa problemática e dos seus efeitos.

Diante dessa óptica, é notável que as redes sociais desempenham um papel importante na intensificação da sensação de inferioridade por parte da população. Isso porque, em grande parte dos casos, há uma forte valorização de locais e pessoas de outros países, como os Estados Unidos da América. Tendo isso em vista, a sociedade é influenciada a imaginar os atributos de nações exteriores como inalcançáveis e superiores, contrariamente às ideias do escritor Ariano Suassuna, baseadas na apreciação do que é naturalmente brasileiro. Dessa forma, é imprescindível que medidas sejam tomadas para frear essa problemática e seus efeitos, como a depressão.

Em adição, é correto relacionar a forte presença do capitalismo à manutenção do complexo de vira-latas brasileiro. Nessa perspectiva, é cabível a análise de Karl Marx acerca desse modelo econômico, na qual ele afirma que as desigualdades sociopolíticas são evidenciadas ao passo que o sistema financeiro evolui. Com base nisso, a sociedade, em sua maioria, coloca-se em uma hierarquia com outros países, pondo-os no topo por considerar seus produtos, vendidos geralmente a preços e propagandas chamativas, superiores, deixando, por conseguinte, seu país sem a valorização necessária. Tal panorama requer soluções urgentes para frear as segregações propostas por Marx, bem como mitigar suas consequências.

Evidencia-se a urgência, portanto, da tomada de medidas no combate ao complexo de vira-latas e aos seus efeitos psicológicos na população brasileira. Para tanto, é necessário que a mídia, como principal propagadora de informações, selecione, por meio do algoritmo, publicações de valorização nacional e as direcione aos usuários, com o fito de criar uma sensação patriota entre o povo do Brasil. Ademais, o Estado, por meio de incentivos no marketing, deve priorizar os anúncios de produtos próprios do país, para que suas qualidades sejam evidenciadas ao povo, corroborando para o fim da problemática. Assim, a fugacidade proposta por Bauman não será uma realidade.