A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 24/05/2022

Em 1950, a seleção brasileira perdeu para a uruguaia na Copa do Mundo. O comportamento dos brasileiros diante dessa situação motivou o intelectual Nelson Rodrigues a comentar sobre o complexo vira-lata. Esse fator, que é definido pelo fato da maioria dos brasileiros consideram seu país inferior a outras nações, descreve a relação conturbada que estes têm com a sua nacionalidade. Dessa forma, é inegável dizer que o pessimismo em relação ao futuro e o acomodo com as características negativas da sociedade são efeitos do complexo vira-lata.

Nesse cenário, é essencial ressaltar a desesperança do brasileiro acarretada pelo sentimento de inferioridade. Sob esse viés, Friedrich Ratzel apoiava o pensamento determinista, que afirma que as condições do meio determinam a forma do indivíduo. Analogamente a essa corrente filosófica, a sociedade brasileira acredita que sua posição inferior a condena para um futuro sem êxito. Assim, percebe-se que a maior parte da população do brasil se assume com uma posição de baixa importância social e condena-se como ínfero nos em diversos âmbitos, como educacional e esportivo. Esse sentimento, consequentemente, cega o brasileiro para uma perspectiva positiva dos anos vindouros, o que promove um retardo no progresso social.

Ademais, vale citar a desistência do corpo social de modificar os maus hábitos. Sob essa óptica, a obra Macunaíma reflete o “jeitinho brasileiro”, que é resolver as situações de forma desonesta e preguiçosa. E, percebe-se no livro e no público leitor a aceitação desse caráter. Desse modo, é inegável que a população brasileira consente com o comportamento antiético. Nesse âmbito, a inferiorização que o complexo vira-lata trás acomoda o brasileiro aos péssimos costumes sociais, e considera insignificante modificá-los. Assim, a pejorativa autoavaliação do povo verde-amarelo é um desestímulo para variar o agir deste povo.

Portanto, infere-se a necessidade de melhorar a relação do brasileiro com a sua nacionalidade. Para isso, o IPHAN, criado em janeiro de 1937, deve promover debates sobre a importância da autovalorização do país. Por meio das secretarias executivas, esse projeto deve ser realizado para elevar o amor à pátria de forma saudável. Assim, ter-se-á uma sociedade contrário ao complexo vira-lata.