A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 24/05/2022
O termo identidade significa o conjunto de características que distingue algo ou alguém e por meio do qual é possível individualizar. De forma similar, a palavra nacionalidade pode ser definida como a individualização pelo local e cultura de nascimento. Dessa maneira, discute-se a condição social do brasileiro enquanto ser integrante de uma nação e de uma cultura e a impossibilidade de desvincular esses elementos do processo de formação do país. Portanto, o processo de fusão étnica e cultural foi fundamental para a percepção identitária que o cidadão tem de si mesmo, alimentando o “complexo de vira-latas”.
Sob o viés do processo colonial, aborda-se o enraizamento de uma visão imperialista e eurocêntrica. Nesse panorama, o filósofo Foucault desenvolve a ideia de que o poder é utilizado para o controle social e a exemplo disso, a relação do brasileiro com sua nacionalidade é marcada por noções ideológicas do que constitui progresso ou subdesenvolvimento, ocasionando um processo em que o próprio povo nega sua soberania. Por consequência, elementos como tradição e ancestralidade são menosprezados.
Outro ponto importante trata da persistência da intolerância, da insensibilidade cultural e do apagamento de práticas tradicionais. Nesse sentido, o indivíduo brasileiro é alimentado por correntes filosóficas como o determinismo, que responsabiliza o meio pela degradação moral de seus habitantes. De maneira análoga, o espaço degradado “Brasil” é percebido como inferior em relação ao resto do mundo pelo próprio cidadão. Em virtude disso, o processo de desvalorização da cultura é internalizado e potencializado.
Infere-se, portanto, que a identidade brasileira deve ser compreendida como uma malha cultural complexa que abriga diversos grupos étnicos. Para isso, a promoção de campanhas de conscientização sobre a formação identitária brasileira, por meio de projetos em escolas e instituições públicas, é fundamental. Sendo assim, a atuação do Ministério da Educação, pasta ministerial responsável, tem por objetivo o combate ao “complexo de vira-latas”.