A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.

Enviada em 25/08/2022

A música “Senhor Presidente” do cantor brasileiro Projota faz uma intertextualidade com o Hino Nacional ao declarar que vivemos em uma “Pátria mal-amada por filhos infiéis”. Esse trecho específico da canção argumenta sobre a desvalorização da nacionalidade brasileira, demonstrando a definição de um problema social com contornos específicos. Este, que historicamente já sofreu diversas intervenções para conter seus efeitos no campo econômico e literário, ainda é muito presente, assemelhando-se ao termo “vira-lata”.

Nesse contexto, cabe analisar a prática protecionista realizada no Brasil durante o início de seu surto industrial. Tais medidas previam a taxação sobre produtos importados para a valorização dos produtos nacionais. No entanto, na atualidade ainda se mantém a falsa ideologia que as produções europeias e estadunidenses são superiores. De acordo com Nelson Rodrigues, esse sentimento de inferioridade das produções brasileiras, propagado por sua população nativa, pode ser chamado de complexo de “vira-lata”.

Ademais, o fato de nossa literatura ter tido origem nas bases portuguesas fez com que passasemos muito tempo sem uma identidade única. O Movimento Antropofágico, derivado da corrente Modernista, realizou uma tentativa de construção de uma cultura independente de qualquer outra. Entretanto, o avanço da globalização e a propagação de informação em larga escala pelos meios digitais impossibilitou a manutenção de um panorama completamente puro e sem interferências externas.

Logo, medidas são necessárias para a contrução de uma relação mais saudável entre os brasileiros e sua nacionalidade. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação a promoção de projetos de valorização de traços nacionais, como o folclore e as danças e comidas típicas, por meio de uma série de palestras ministradas por professores das áreas de Ciências Humanas. Dessa forma, poderemos mudar essa realidade através da contrução de futuros cidadãos mais conscientes de suas origens e do real valor de seu país. Somente assim poderemos subverter o trecho da música citada inicialmente e voltarmos a termos uma “Pátria amada, idolatrada”.