A relação do brasileiro com sua nacionalidade: os efeitos do complexo de vira-latas.
Enviada em 11/11/2022
Africanos, índios e europeus, essa é a composição base que deu origem a grande nação brasileira. Essa mistura de povos confere ao país originalidade, mas também rende muitas críticas, pois o complexo de vira-lata – povo mestiço – pode produz uma relação de conflito entre o brasileiro e a sua nacionalidade. Dessa forma, a elevada desigualdade social e educacional conflui para esse desconforto.
Inicialmente, é preciso destacar que a desigualdade social no país gera, majori-tariamente, um sentimento de menos valia em relação a outras nações desenvol-vidas. Isso pois, conforme dados do Programa das Nações Unidas Para o Desenvol-vimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Isso indica a existência de indivíduos em extrema pobreza e que, certamente, desejam melhores condi-ções de vida. Sob esse viés, muitos preferem arriscar a vida ao tentar atravessar, por exemplo, a fronteira do México com os Estados Unidos, a permanecer na terra natal - sem perspectiva de prosperidade e com insegurança alimentar. Logo, esses preferem suportar a xenofobia a ter que conviver com o desamparo do governo.
Ademais, a falta de investimentos na educação é outro fator que faz crescer o sentimento de vira-lata. Dados de 2018 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) mostram um atraso de 200 anos na qualidade de leitura dos brasilei-ros em relação a Europa. Nota-se, dessa forma, que pelo o atraso intelectual vivido no Brasil, muitos não se orgulham de ser brasileiros. Visto que, o traço que deveria conferir originalidade, para muitos desperta o sentimento de menor valor em relação aos povos com menos misturas e mais desenvolvimento, como apontou o PISA sobre a Europa. Logo, para resolver esse conflito de sentimentos, é indispen-sável o protagonismo do Estado enquanto agente de mudanças.
Portanto, urge que o complexo de inferioridade nacional seja superado. Para isso, é dever do Governo Federal fortalecer os programas de desenvolvimento social e educação. Isso pode ser realizado por meio do pagamento de um salário mínimo, por aluno matriculado na rede pública, às famílias carentes. Garantindo-se, dessa forma, renda e educação à população, a fim de que a sociedade evolua socioeconomicamente. Assim, o povo formado por africanos, índios e europeus poderá se sentir mais valorizado pelo Estado e terá orgulho de sua nacionalidade.