A relação entre o Brasil e a cultura do país.

Enviada em 10/06/2020

A Semana de Arte Moderna de 1922, além do seu grande impacto cultural, apresentou fortes críticas às oligarquias locais que manifestavam desinteresse no desenvolvimento da cultura brasileira. Sob essa ótica, a atual conjuntura é marcada por intensa desvalorização da cultura nacional, a qual é composta por livros, filmes, peças teatrais, músicas e vestimentas. Logo, torna-se imperioso analisar a influência americana e o desinteresse populacional mediante a problemática em questão.

A priori, cabe ressaltar a influência americana no que tange à valorização da cultura nacional. Haja vista que o Imperialismo cultural obteve dominação latino-americana, nota-se uma expressiva influência estadunidense na cultura brasileira, em destaque para o “American way of life” -“estilo de vida americano”-. Nesse contexto, por meio do estímulo ao consumo oriundo do “American way of life”, desde roupas até entretenimentos -como cinema e teatro-, evidencia-se certa hegemonia dos Estados Unidos na indústria cinematográfica. Tal hegemonia é confirmada por um estudo feito pelo Relatório de Desenvolvimento Humano, ao mostrar que de cada dez pessoas que vão ao cinema, 8,5 prestigiarão um filme produzido nos EUA. Logo, a partir dos dados apresentados, percebe-se uma hipervalorização americana na cultura nacional.

Além disso, vale destacar o desinteresse populacional como impasse na valorização da cultura do país. Segundo o Panorama Setorial da Cultura Brasileira, cerca de 42% dos brasileiros não praticam atividades culturais com frequência. Nesse viés, é perceptível que ações como assistir a peças teatrais, ler livros na Biblioteca Nacional e prestigiar o cinema brasileiro, não fazem parte da rotina dos cidadãos hodiernos, uma vez que muitos optam por acessar esses conteúdos virtualmente sem desfrutá-los pessoalmente. Outrossim, cabe pontuar que participar ativamente de dinamismos culturais, contribui significativamente no processo de formação da identidade de um indivíduo pois, consoante ao filósofo Louis Bonald, a cultura é capaz de formar sábios. Em síntese, é inegável que o desleixo populacional afeta a valorização da cultura brasileira.

Portanto, é notório que o desinteresse no desenvolvimento da cultura brasileira, denunciado na Semana de Arte Moderna, faz-se presente na atual conjuntura. Cabe, então, às escolas -órgão responsável por formar indivíduos-, conscientizar seus alunos por meio de debates e palestras dinâmicas, a fim de demonstrar para esta e as próximas gerações a importância de valorizar a cultura do país. Logo, far-se-á possível construir indivíduos mais sábios, assim como diz Louis Bonald.