A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 27/11/2025
Desde a infância, crianças são influenciadas por histórias que moldam percepções sociais, afetivas e comportamentais. Entre elas, os contos de fadas tradicionais, como Branca de Neve e Cinderela, apresentam narrativas centradas em princesas frágeis que dependem de um homem para alcançar felicidade e sucesso. Essa construção reforça ideias de submissão feminina e idealiza o “salvador masculino”, favorecendo expectativas irreais e desigualdades internalizadas desde cedo.
Essa representação se relaciona ao conceito de violência simbólica, descrito pelo sociólogo Pierre Bourdieu, que explica como a cultura perpetua opressões de modo naturalizado. Ao apresentar as personagens femininas como passivas e obedientes, os contos reforçam padrões de beleza, docilidade e silêncio como virtudes desejáveis às mulheres. Como efeito, meninas podem desenvolver insegurança, baixa autoestima e crença na dependência afetiva, reproduzindo relações desiguais na vida adulta e perpetuando o machismo estrutural.
Diante disso, é necessário reinterpretar essas narrativas e promover produções que valorizem protagonismo feminino e diversidade. Obras contemporâneas como Valente e Frozen já demonstram novas representações, nas quais mulheres são independentes, corajosas e construtoras de seus próprios destinos. Além disso, escolas e famílias podem trabalhar a leitura crítica dessas histórias, explicando seus símbolos e incentivando reflexões que desnaturalizem a submissão feminina.
Portanto, combater a romantização desigual nos contos de fadas é construir uma educação que forme meninas conscientes de seu valor e de suas potencialidades. A partir de representações que fortaleçam a autonomia e o empoderamento feminino, será possível transformar imaginários sociais e, consequentemente, relações na vida real. Assim, a literatura deixará de ser mecanismo de inferiorização e passará a atuar como ferramenta de liberdade e igualdade.