A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 14/10/2022
Na obra literária “A psicanalise dos contos de fadas” de Bruno bettelheim, é abordado uma análise do autor sobre como os contos de fadas ajudam as crianças a recriar internamente seus próprios dramas pessoais, contribuindo assim, para que elas aprendam a lidar com seus conflitos interiores. Em contrapartida, apesar da cultura social dos contos infantis ser tão valorizada, ocorre um apagamento do papel da mulher nessas histórias. Desse modo, pode-se discutir a romantização nos contos de fadas que submete as mulheres à inferioridade, devido as bases patriarcais da sociedade e o mito da inferioridade feminina.
Em primeira análise, é importante expor as estruturas sociais do patriarcado. Uma vez que, segundo o livro “Segundo sexo” da pensadora Simone de Beauvoir, as mulheres são educadas com a ideia de que seu destino seria o casamento que as transformaria em objeto da supremacia masculina. Dessa forma, a ideia do homem como chefe da familia subjuga a figura feminina e está submissão é refletida nas raizes culturais da sociedade como os contos de fadas que existem desde antes da idade média.
Ademais, vale salientar a falsa ideia de inferioridade feminina. Sob este viés, esse mito surgiu com a estratificação social que segrega as sociedades em classes, em que a dominação masculina é um dos pilares. De tal modo, a figura feminina foi rebaixada em posições domesticas com a desculpa de ser uma questão natural, ademais, a pensadora Evelyn Reed ao analisar as relações sociais antigas constou que a maternidade investia as mulheres de poder e prestígio, Logo, a ideia da inferioridade feminina ser natural se carcateriza como uma inverdade.
Portanto, é necessário que o governo, juntamente com o Ministério da Educação promova a criação e reformulação de contos infantis. Essa ação deve ser feita por meio de professores e sociologos que busquem transformar o papel feminino dessas histórias em algo mais igualitário e representátivo para as meninas. Além disso, o governo deve criar rodas de leituras nas escolas em parceira com as prefeituras locais, em que os alunos e professores discutam sobre os contos de fadas antigos e como a mulhe era vista, para que se possa criar um senso crítico nas crianças. Somente assim, pode-se apaziguar a questão.