A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 24/10/2022
Os desenhos e histórias de contos de fadas, mais que um entretenimento infantil, são ferramentas pedagógicas muito presente no dia a dia das crianças, porém a linha de raciocínio seguida relata à imagem feminina de forma negativa em muitos aspectos. Então deve-se questionar, até que ponto seu conteúdo influência de forma saudável uma criança que se encontra em uma fase de formação de valores e ideais.
Logo, percebe-se que a figura feminina nos contos é frágil e dependente de uma imagem masculina, a ideia de que para chegar em algum lugar na vida ou realizar sonhos, não tem ligação com elas mesmas. Além de criar e incentivar a rivalidade feminina, como por exemplo na “Branca de neve”, em que sua beleza causa desavença por inveja entre ela e a rainha, tornando a vida uma competição, geralmente voltada para a conquista de atenção masculina.
Certamente, essa influência não afeta apenas o comportamento feminino, mas acaba ensinando os meninos a tratarem as meninas como se estivessem abaixo deles, colocando-as em uma posição de serventia à eles, seja nas tarefas domésticas ou para satisfazer seus desejos.
Portanto, por os contos serem uma ferramenta pedagógica, para representar e expressar expectativas e sentimentos da vida adulta, a criança toma para si essa realidade apresentada nos contos. Como consequência, ao decorrer da vida, ela se contentará e se limitará ao desbravar o mundo, se submetendo ao pouco.
Por isso, é importante pensar e desenvolver métodos capazes de combater esse machismo e desvalorização feminina enraizados. Apesar de atualmente a indústria do cinema estar focando mais em obras que empoderam as mulheres e as mostram independentes e capazes, como “Moana”, “Valente” entre outras, é preciso ir além disso. Então, junto a produtores audiovisuais, cinematográficos e escritores, criar e reproduzir releituras de contos como “Cinderela”, “Bela adormecida” e muito mais, rompendo o ciclo dos contos, recriando o modo como são representadas, usando não apenas os livros, mas se aliando a mídia digital para maior alcance, incentivando o movimento feminino e reconstrução do ensino infantil, por outro parâmetro.