A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 14/10/2022

Na produção americana “Barbie em: A Princesa da Ilha”, a protagonista Rô se vê encantada pelo príncipe que lhe resgatou de uma ilha, e parece ser o único que pode lhe mostrar o mundo, quando se casar com ela. Apesar da aparência inofensiva, a romantização da inferiorização de uma figura feminina é um aspecto forte nos contos, e que resiste mesmo nos dias atuais. Na escrita dos clássicos contos de fada, a idealização menosprezada destas mulheres é quase um critério textual a ser seguido, e a problemática aparece quando essas histórias vão implantando na consciência juvenil de que isso é um modelo ideal de comportamento a ser reproduzido.

Os contos de fada são as histórias mágicas que toda criança já ouviu. Para as garotas, estes textos são, simplesmente, a materialização dos seus “sonhos de princesa”. Tendo isso em mente, ao ler este repertório, que aparece na maioria esmagadora destes contos utópicos, essas garotas vão crescer com um ideal de relações amororsas e par romântico muito influenciados por essas obras, esperando um príncipe encantado e um reino mágico que não existem.

Desta forma, essas meninas vão se tornando mais e mais frustradas ao perceberem o quão irreal é este desejo, mas mesmo assim, irão se moldar cada vez mais, tentando se encaixar num padrão de personalidade, acreditando que assim irão alcançar esse relacionamento perfeito. Frágeis, dóceis e submissas, essas e outras características vão sendo absorvidas por essas crianças, que, quando adultas, irão repassar para seus filhos, num ciclo onde o homem será o protagonista, enquanto que a mulher será uma mera figurante. Personagens dentro de uma história real, chamada de casamento.

Observando o que foi exposto, é importante que se possa barrar este tipo de pensamento. É necessário causar uma reflexão, por parte dos professores e de escritores de contos, que ao apresentarem estas histórias às crianças, que lhes possam oferecer uma outra visão em seus textos, onde as princesas possam escrever seus próprios destinos ao invés de somente aceitar essa discriminalização tão enraizada, buscando formar cada vez mais, crianças livres destas armadilhas tradicionais, disponibilizando um outro final feliz.