A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 22/10/2022

Ao observar a Constituição Federal de 1988, nota-se como a garantia de um desenvolvimento nacional e a construção de uma sociedade justa são cruciais para o alcance de uma república ideal. No entanto, a romantização da inferioridade das mulheres representadas em contos de fadas dificulta a validação dos princípios constitucionais, dado que o fato é visto como um assunto frequente e banal. Nessa ótica, é pertinente ressaltar a cultura do machismo como fonte do problema - visto que promove a distorção imagética feminina perante o corpo social.

Nesse sentido, é válido reconhecer como a cultura do machismo prejudica a mitigação do obstáculo, dado que os contos de fadas em sua maioria retratam a mulher como sexo frágil e dependente, um pensamento retrogrado e degradante. Sob esse prisma, a antropóloga Ruth Benedict afirma que a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga, isto é, o ambiente expõe valores adquiridos no convívio social. Partindo desse pressuposto, inserido em um meio que, banaliza a problemática, e permite sua continuidade, o cidadão tende a padronizar esse cenário como um fator normal - de modo a causar uma apatia social e, lamentavelmente, o encadeamento da cultura machista.

Por conseguinte, infere-se que a distorção imagética feminina instalou-se na coletividade ao passo que o corpo social não vê com sobriedade as complicações que isso causa na vida das mulheres, como serem tratadas de forma pejorativa no campo social e profissional. Nesse viés, segundo a literatura barrosiana, conforme a “teologia do traste”, é crucial que o indivíduo valorize as questões ignoradas pela sociedade, a fim de causar uma mudança na esfera social. Entretanto, o cidadão brasileiro, frente ao dilema não dá a devida relevância, ignorando o assunto e corroborando com a “teologia” de Manoel de Barros.

Por tanto, é necessário atenuar o quadro vigente. Para tanto, o Estado - responsável pela harmonia social - deve implementar livros que não romantizem a inferioridade da figura feminina. Essa medida será cumprida e efetivada por meio do Ministério da Educação, com a finalidade de que seja desenvolvido novas histórias e que tenha total igualdade entre homem e mulher no enredo. Dessa forma, a cultura do machismo não será mais uma realidade nacional.