A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 15/10/2022

O romance filosófico “Utopia”- criado pelo escritor inglês Thomas More no século XVI-retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à imagem inferiorizada da mulher, criada ao longo dos anos. Dessa forma, entre os fatores relacionados a esse segmento, podem-se destacar a romantização nos contos de fadas e em como isso afeta a sociedade.

Mormente, cabe analisar como a imagem feminina é abordada nos contos de fadas. No conto “Rapunzel”, uma princesa vive isolada do mundo no alto de uma torre, até que, em um belo dia, ela é salva por um príncipe, e então eles se casam e vivem felizes para sempre. Por analogia, perceptível a inferiorização feminina em contos como esse, no qual a mulher é dependente de um salvador, mostrando, assim, a sua incapacidade de lidar com o mundo sozinha. Desse modo, a mulher acaba se tornando um ser frágil, que depende de um homem para alcançar a felicidade.

Por conseguinte, essa situação torna-se ainda mais alarmante pelo grande machismo existente nos dias atuais. A série “Maid”- produzida pela Netflix- retrata a vida de uma vítima de violência doméstica que luta para denunciar e se divorciar de seu agressor. Sob essa perspectiva, a devoção que existe em torno do casamento, cria uma idealização na busca pelo amor, o que acaba limitando a mulher, impossibilitando-a de construir uma vida independente. Logo, tudo isso afeta a percepção feminina sobre o mundo e sobre si mesmas, o que as colocam em busca de um amor idealizado que, muitas vezes, não dura para sempre.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esse impasse. Para tanto, o governo federal -Poder Executivo no âmbito da União-deve promover a criação de contos de fadas com princesas independentes e com vidas próprias. Isso seria realizado por meio da divulgação midiática, a fim de incentivar a leitura desses contos para crianças. Espera-se, com isso, concretizar a “Utopia” de More hodiernanente.