A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 15/10/2022
No filme “Valente”, é retratada a história de Merida, uma princesa que realiza tarefas pré-estabelecidas como para homens, quebrando com o esteriótipo desse gênero. Paralelamente a isso, fora das telas, essa situação está distante da realidade, uma vez que a romantização nos contos de fadas ainda é bastante presente, contribuindo para a representação da inferioridade nas mulheres. Desse modo, cabe analisar causas como o legado histórico e a ineficiência estatal.
Em primeiro lugar é importante destacar a herança do passado como contribuinte do problema. Nesse contexto, o filósofo Confúcio afirma que, se deseja saber do futuro, basta estudar o passado. Nesse sentido, é observável que, durante os séculos passados, houve a prevalência do patriarcado, que menosprezava a mulher e construía uma sociedade centrada no homem. Dessa forma, no século atual, as obras vem sendo construídas com base nesse pensamento ultrapassado, acentuando o pensamento de inferioridade. Logo, é inadmissível que isso aconteça por causa da manutenção desse pensamento ultrapassado.
Além disso, a incompetência governamental impulsiona a problemática. Dessa maneira, de acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população. Contudo, na prática, a máxima do autor não reverbera, pois apesar de haverem leis que garantem a igualdade entre homens e mulheres, na prática isso não funciona — haja visto que não existem órgãos para supervisionar o cumprimento da norma, além disso, muitas vezes elas são desacreditadas ou até mesmo ameaçadas —. Por conseguinte, esse cenário ocasiona, infelizmente, uma normalização desse tipo de atitude.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas para a resolução do impasse. Urge que o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, ofereça palestras, mostrando com ajuda de profissionais como a inferiorização das mulheres afeta elas negativamente, a fim de conscientizar a sociedade. Ademais, o Ministério da Segurança, por meio da polícia, deve criar um órgão especializado, garantindo fiscalização e proteção para as vítimas, com o intuito garantir a aplicabilidade da lei. Assim, será possível que a ficção de “Valente” se torne realidade.