A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 17/10/2022

Para o filósofo J.Locke " os seres humanos são como folhas em branco que, ao longo de suas vidas são moldados pela sociedade". Análogo a esse pensamento, é possível citar que os contos de fada surgiram na sociedade com esse fim, educá-la atráves de narrativas que servem de código moral. Todavia, a inferiorização da mulher em detrimento do romantismo ainda ocorre nesses contos, seja pelo caráter arcaico e patriarcal que apresenta, seja pela falta de criticidade da sociedade em relação aos princípios oferecidos às crianças prematuramente.

Sob essa análise, é válido salientar que a maioria desses contos surgiram na Idade Média, como ferramente de controle social. Nessa lógica, apesar dessa concepção ser tão obsoleta a contemporaneidade, verifica-se que a cultura machista, encontra-se instalada nas características da sociedade. Ou seja, mesmo que o tempo tenha passado e muitos costumes evoluído, os contos que desenvolvem o intelecto das crianças continuam inferiorizando a mulher, e valorizando a atuação masculina diante de situações como as contadas nas histórias. Evidencia-se, então, que os contos de fadas antigos já não são adequados para o presente e apenas propiciam um lastimável cenário para que a mulher seja valorizada na sociedade.

Tendo isso em vista, cabe ressaltar que a ausência de reflexão dos indivíduos diante dos aspectos nocivos dos contos colabora para a permanência da inferiorização feminina na nação. Nessa perspectiva, segundo Jean Piaget: " O principal objetivo da educação é não repetir o passado". Nesse viés, compreende-se que sem o auxílio pedagógico adequado, as crianças não desenvolvem a criticidade necessária para não romantizar os momentos descritos nos contos, favorecendo a permanência da cultura sexista e machista nos dias atuais.

Portando, medidas são necessárias para reverter esse estigma causado pela romantização de contos de fadas. Para isso, cabe a Secretária Especial de Cultura, juntamento com o Ministério da Educação, criar projetos culturais que influenciem autores a criar novos contos de fadas que se adéquem ao mundo moderno, possibilitando uma nova visão sobre as mulheres, com o fito de potencializar o empoderamento feminino e combater as situações antiquadas ainda presentes nos dias atuais, para assim, construir-se uma sociedade menos machista.