A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 16/10/2022
Em diversos contos de fadas, como, por exemplo, “A Bela Adormecida” e “Branca de Neve”, as protagonistas são passivas e vítimas de feitiços que somente serão revertidos com uma ação de suas contrapartes masculinas. Deste modo, eles hipervalorizam o homem e reforçam a ideia de que mulheres são incapazes, por si mesmas, de resolverem os próprios problemas, gerando, assim, uma cultura inconsciente nos consumidores dessas histórias.
Ademais, não são apenas os contos de fadas que contribuem a esse pensamento. As peças de Shakespeare estão repletas de casos onde um homem, ou homens, exercem pressões desiguais em relação às mulheres. Em “Otelo, o mouro de Veneza”, Desdêmona nunca toma voz para se defender das suspeitas de adultério, e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, segue na mesma linha: a história é totalmente no ponto de vista masculino e as ações mais relevantes dos enredos são as dos protagonistas, com as mulheres as sofrendo de modo passivo.
Tudo isso resulta, pesado e medido, numa cultura que desvaloriza a mulher e que está impregnada, mesmo de forma inconsciente, na mente da maior parte das pessoas que consomem esses conteúdos. Imagens frequentemente expostas irão por fim ficarem familiares, e decisões serão tomadas com base nessas imagens. “Madame Bovary”, de Flaubert, é justamente uma história onde uma mulher cheia de fantasias começa a agir com base nelas, o que leva ao fim trágico. Uma sociedade inteira que tem essa cultura facilmente envereda num caminho misógino, e as próprias mulheres irão compartilhar dessa misoginia.
Portanto, é necessário mudar essa cultura, o que pode ser feito através de versões modernas das histórias clássicas, refeitas pelas grandes empresas de música como Disney e outras, visando lentamente substituir uma imagem por outra, mais positiva, nas cabeças do público, principalmente o mais jovem. “Neste livro a princesa salva a si mesma” é um excelente exemplo de combate cultural, e com mais iniciativas feito essa, a mentalidade social será outra em poucas décadas.