A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 17/10/2022
A icônica cena do filme “Detona Ralph: quebrando a internet” na qual diversas princesas clássicas, como Cinderela, Bela Adormecida e Branca de Neve questio-nam a personagem Vanellope acerca de seu “príncipe” gerou diversos debates. Isto ocorreu pois a mais recente integrante do “hall” de princesas Disney faz parte de uma linha mais liberal, que tenta desvincular o caráter romântico e indefeso do protagonismo feminino. No entanto, diversos espectadores ainda permanecem com ideologias conservadoras sobre essas modificações, desconsiderando a influ- ência da propagação desse tipo de conteúdo para a contrução da personalidade in-fantil. Dessa forma, observa-se a construção de um entrave com características es-pecíficas, agravado por um passado patriarcal e atestado por filósofas modernas.
Nesse contexto, cabe analisar que esse padrão de personagem é o reflexo de um panorama histórico. Desde a Grécia Antiga, milhares de anos atrás, a mulher é marginalizada, ocupando apenas o papel de perpetuação da espécie. Esse modelo de inferiorização, apesar de ter sido parcialmente rompido graças ao movimento feminista, ainda influencia em alguns traços da atualidade como a disparidade salarial por gênero e as altas de feminicídio.
Ademais, a frase da filósofa Simone de Beauvoir “a mulher não nasce mulher, torna-se mulher” também pode ser aplicada nesse contexto. Segundo a pesnsadora, a personalidade feminina constroi-se através das experiências vividas ao longo de sua infância e adolescência. Assim, a apresentação de protagonistas fortes e independentes mostra-se essencial para o desenvolvimento de uma futura geração menos sucetível a pressões e padrões históricos.
Sob essa ótica, medidas são necessárias para conter a romantização dos contos de fadas e o papel destes na representação da inferioridade das mulheres. Logo, cabe ao Ministério da Educação a promoção de projetos de valorização dessas novas tramas feministas e a análise crítica dos contos clássicos com base em aspectos da sociedade contemporânea. Este ocorreria por meio de rodas de leitura em séries iniciais da alfabetização e a promoção de rodas de conversa/debates em turmas de ensino médio problematizando as situações apresentadas a fim de promover futuras gerações de mulheres mais fortes e empoderadas.