A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 31/10/2022

No filme infantil Valente, a personagem principal, Merida, busca quebrar as raízes tradicionais e se tornar uma mulher independente em sua jornada, sem um príncipe encantado ao lado. De maneira análoga a isso, desafortunadamente diversos contos de fadas romantizam a objetificação e a inferioridade das personagens. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: o preconceito em relação a mulheres que não querem se casar e o receio sobre aquelas que não apresentam personalidade de ´´´princesa``.

Em primeira análise, evidencia-se como ainda persiste um pensamento ultrapassado no qual as mulheres foram feitas para o matrimônio e o estado de submissão ao marido. Sob essa ótica, segundo a pesquisa Datafolha, há no Brasil 37% de mulheres que preferem permanecer vivendo sem um companheiro sob o mesmo teto. Dessa forma, é possível refletir em como esse tema deveria ser tratado com naturalidade, e não com rejeição e julgamento dos demais.

Além disso, é notório como mulheres empoderadas e sem aquele padrão de fragéis, como constantemente são apresentadas nas histórias, assustam satisfatoriamente a sociedade. Desse modo, conforme o pensamento da socióloga e professora doutora, Laura Garbini Both, as mulheres empoderadas economicamente deslocam o papel tradicional do homem, em uma sociedade patriarcal como a nossa. Consoante a isso, evidencia-se a razão pelo qual esse medo é explícito, pois essas atitudes afastam a supervalorização apenas no homem, e acendem as conquistas e realizações das mulheres igualmente.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter essa inferioridade exposta nos contos de fadas. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, fazer uma correção de como essas histórias são contadas para as crianças, por meio de novas narrativas, a fim de que as futuras gerações possam banalizar essa forma de preconceito, e dar espaço para o progresso de todos semelhantemente.