A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 17/10/2022
A partir do advento da Revolução indústrial, disseminou-se em sociedade uma intensa produção literaria e cinematográfica infantil, atuando na formação da visão de mundo das crianças a partir daí. Entretanto, muitas das vezes, os conteúdos exibidos por tal ramo, em obras como os contos de fadas, trazem consigo um ideal de inferiorização da mulher pela aplicação de esteriótipos. De tal modo, a disseminação dessa romantização ocorre pela padronização em massa do público infantil e pela ausência de discussões que confrontem esse pensamento.
Diante disso, a manipulação do pensamento de crianças é evidente em sociedade. Assim, Adorno e Horkheimer, dois importantes filósofos da escola de Frankfurt, definiram como indústria cultural a padronização e massificação de pensamentos a partir de um central. De tal maneira, isso está diretamente ligado à construção do pensamento de inferioridade, o qual se constitui a partir das animações para as crianças, em que há a extensa exibição desde os anos iniciais. Desse modo, interferindo no processo de socialização das crianças, isso é responsável pela interferência psicológica do gradiente populacional, a partir de pensamentos que sustentam o domínio patriarcal e a fragilidade feminina.
Além disso, destaca-se a omissão de se propor medidas para a desconstrução de tal raciocínio. Segundo o filósofo francês Foucault, instituições como as de ensino estão mais preocupadas em manter a ordem e a disciplina, ao invés de promover a integração social do indivíduo. Analogamente, as escolas se preocupam apenas em trasmitir conteúdos acadêmicos, e não em discutir pensamentos que confrontem os esteriótipos criados contra a mulher para as crianças. Tais ensinamentos, atua-riam criando uma visão mais ética sobre as mulheres, cabendo a disseminação.
Portanto, medidas são necessárias a fim de minimizar a representação de inferioridade das mulheres. Assim, os centros de educação, desde o módulo infantil, devem propor conteúdos interdisciplinares que estimulem a igualdade de gênero nos diversos aspectos. Essa iniciativa deve mitigar ideais de fragilidade e de domínio, construindo nas crianças uma representação igualitária entre homens e mulheres, para que assim possam se comportar nessa base. Com isso, o ideal persistente em sociedade será diferente daquele presente em contos de fadas.