A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 20/10/2022
“A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte”. O postulado elaborado pelo autor Oscar Wilde elucida o fato de que a história do feminino é fadado a secundarição e a subordinação aos homens. Nesse sentido, é justamente pela centralidade do papel ímpar da mulher na sociedade com um todo, que se compreende a questão da representação da inferioridade no feminino. Sob tal perspectiva, entende-se que a disseminação de histórias em que as personagens são subjugadas, somada à herança patriarcal são fatores que tornam a questão um problema.
Sob essa análise, é necessário salientar que tópicos relevantes são combinados na estruturação dessa problemáica. Dentre eles, destaca-se a propagação de contos em que as mulheres representam papeis de submissão aos homens e que mostram que as personagens têm por objetivo único de vida, a construção de uma família. Esse fato é grave, visto que as crianças espelham os comportamentos que lhes são dados. Somada a isso, a secundarição dada pela mídia às histórias em que o protagonismo feminino não envolve família, aparência ou vaidade também contribui para a contrução dessa caótica conjuntura, pois deixa de ser um material de apoio para os responsáveis que desejam criar nas crianças conceitos de igualdade e respeito.
Outrossim, é importante pontuar que a permanência dos valores da ideologia patriarcal também colabora com o problema no Brasil. Conforme a escritora Simone de Beauvoir, a humanidade é masculina, e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo. De maneira análoga, é possível perceber que, na sociedade brasileira, os valores patriarcais são o alicerce da imagem frágil e manipulável da mulher atual.
Urge, portanto, que os meios midiáticos, por meio retratação das formas de representação, as quais serão voltadas para a representação da igualdade de gênero, a fim de promover o fim da inferioridade da milher na sociedade brasileira. Tal ação deve priorizar o público infantil, já que este se encontra no período mais delicado da formação das proprias ideias e conceitos. Quem sabe assim o Brasil possa reverter o cenário proposto pelo autor inglês Oscar Wilde.