A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 20/10/2022
Em meados do século XX, Walt Disney revolucionou a indústria cultural ao aumentar exorbitantemente a popularidade dos contos de fada. Por conseguinte, as mensagens transmitidas por essas obras tornaram-se cada vez mais massificadas no imaginário do público-alvo infantojuvenil. Dessa forma, além dos valores importantes e necessários para o desenvolvimento, muitos desses contos perpetuam ideiais machistas nocivos à formação de uma sociedade.
Primeiramente, é importante destacar a Função Social Catártica da literatura, pois por intermédio dela, o indivíduo é levado a formar ou repensar suas crenças.Então, sabendo que é durante a infância que os valores sociais são formados, a literatura desempenha um papel determinante nesse processo. Dessa forma, os contos de fadas que idealizam os papéis femininos, através da romantização deles, imputando-os características que inferiorizam a mulher, formulam o machismo diretamente no imaginário de crianças e adolescentes que um dia construirão as relações sociais.
Diante desse contexto, quando um jovem lê ou assiste os filmes de princesas frágeis e indefesas sendo resgatadas por um homem forte e salvador, esse cenário está sendo incorporado ao seu subconsciente. Pois, como denotado pelo filósofo Immanuel Kant “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Assim, ao tornar-se adulto, ele passará a agir conforme os ideiais aprendidos durante sua formação, fomentando a percepção machista de uma mulher submissa. Esse contexto resulta em fragilização das relações de gênero, devido ao desrespeito de homens para com as mulheres, e autopercepção negativa delas consigo mesmas.
Logo, tornam-se evidentes as consequências da romantização feminina nos contos de fada. Portanto, as Escolas, como agentes de socialização do público infantojuvenil, devem educá-los acerca da invalidez desses ideais ultrapassados presentes nos contos de fadas, por meio da incorporação da análise de tais obras na grade curricular do ensino fundamental I e II, anos escolares do público alvo mencionado, com a finalidade de prevenir a perpetuação do machismo e suas consequências em nossa sociedade.