A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 22/10/2022

No contexto atual, percebe-se o domínio dos contos de fadas sob o imaginário infantil, realidade que se iniciou durante o século XVII e atingiu seu auge na era do cinema, em que essas histórias ganharam adaptações audiovisuais. Desse modo, torna-se necessário discutir a respeito das impactos desse domínio, haja vista sua capacidade de influenciar no desenvolvimento dos mais novos. A esse respeito, nota-se que os contos de fadas refletem as imposições de uma ideologia dominante, o que gera profundos impactos em determinados grupos sociais.

Nesse viés, constata-se, a princípio, que o sociedade vivencia forte influência do machismo sob a consciência dos indivíduos. Dessa forma, torna-se difícil que histórias do imaginário popular estejam livres de concepções machistas. A exemplificar tal fato, cabe mencionar um dos maiores clássicos da literatura infantil, o conto “A Bela Adormecida”, o qual coloca a mulher em um estado de inferioridade em relação ao homem, pois a personagem principal do romance depende exclusivamente de uma figura masculina para ser salva e amada.

Como consequência, as crianças desenvolvem pensamentos acerca da realidade baseados em ideias superficiais. No tocante ao assunto, a escritora Chimamanda Adichie, em sua palestra “O perigo de uma história única”, aponta que estereótipos são afirmações que omitem parte da verdade e da realidade. Logo, os contos de fadas, que são repletos de estereótipos acerca do papel do homem e da mulher na sociedade, colaboram para o estabelecimento de crenças que não se baseiam na realidade como ela é, ou deveria ser, o que faz com que indivíduos cresçam acreditando em falas que colocam a mulher no papel de “segundo sexo”.

Portanto, observa-se como certas narrativas literárias contribuem com a representação irreal da mulher como indivíduo inferior. Assim, a fim de romper com esse paradigma, cabe aos escritores de contos infantis, que são os responsáveis por propagarem novas tendências na literatura voltada para as crianças, investirem em histórias que rompam com essa cultura de desvalorização da capacidade feminina por meio da releitura de obras já existentes ou na elaboração de novas. Como efeito, esse tipo de obra será mais condizente com a realidade.