A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 25/10/2022
Segundo a constituição federal de 1988, documento de suma importância nacional, em seu 6° artigo prevê que todo cidadão tem direito a igualdade. Conquanto, não se pode afirmar o cumprimento real de tal direito quando se observam os contos de fada que objetificam a mulher, que vem atuando como um fator social patológico, e se torna uma afronta a sociedade brasileira. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Precipuamente, é fulcral pontuar a ausência de medidas governamentais para combater a disseminação e produção de contos infantis nos quais a mulher tem um papel diminuído quanto ao homem. Nesse sentido nota-se que tais contos influenciam a percepção do mundo pelas crianças em sua formação cultural. E, como foi citado por Simonne de Beauvoir “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, está afirmação, pode facilmente ser aplicada aos contos de fada que diminuem o lugar da mulher, já que mais escandaloso que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade, e aceitar normalmente sem se preocupar com a formação da opinião das crianças.
Ademais, é imperativo ressaltar que culturalmente estes contos foram passados de pais para filhos durante centenas de anos e continuam se disseminando. Os livros de literatura infantil são muito importantes para o desenvolvimento sociocultural da percepção do mundo pelo leitor, e ao enraizar desde a infância estes conceitos machistas na mente do cidadão, ao longo de sua vida será de suma dificuldade desconstruir tais conceitos pré adquiridos. Logo, é inaceitável a perduração dessa afronta a sociedade.
Depreende-se, por tanto, a necessidade inerente do governo brasileiro através das secretarias de educação, por meio de campanhas, incentivar a escrita de obras infantojuvenis defendendo todos os direitos humanos, para que possa haver uma construção de uma consciência cada vez mais adequada não só quanto a igualdade de gênero mas de todas as minorias. Assim consolidando um âmbito social de convívio mais agradável para todo e qualquer pessoa aqui presente independente de seu gênero, raça, orientação religiosa e sexual, peso e estilo de vida.