A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 26/10/2022
“E assim, viveram felizes para sempre”, é uma frase extremamente conhecida por encerrar a história de muitos contos de fadas conhecidos pela sociedade. Entretanto, a única maneira de viver feliz para sempre nesses contos é se a princesa for resgatada por um príncipe. Assim, essas histórias foram responsáveis pela romantização das relações, já que muitas meninas acreditam que só poderão ser felizes se casarem.
Um exemplo dessa realidade pode ser observado na canção “Valer a pena”, de Lulu Silvério. Nessa música, a artista fala sobre ter romantizado o amor, e diz “a culpa é que eu li demais, vi todos os filmes clichês que eu era capaz”. Ou seja, a cantora, que representa o que muitas meninas sentem, não consegue encontrar um amor verdadeiro, já que o que ela procura é o que esses contos de fada idealizam como certo, porém, foge da realidade.
Além disso, essas narrativas tendem a hiper fragilizar as personagens principais, além de colocá-las num papel inferior ao dos personagens masculinos, já que estes são os únicos capazes de resolver as problemáticas da história. Fato esse que pode ser observado em A Branca de Neve, por exemplo, já que a princesa só consegue se desprender do feitiço e voltar à vida quando recebe um beijo de amor verdadeiro, do contrário, teria morrido. Esse mesmo padrão pode ser encontrado em Cinderela, A Bela e a Fera e A Bela Adormecida.
Em oposição à esse padrão, o filme “Frozen: Uma Aventura Congelante”, trouxe uma nova persepctiva e modo de pensar em contos de fadas na atualidade. Ao longo da trama a personagem Ana acaba por ter seu coração e corpo congelado, e quem a salvou foi sua irmã, Elsa. Ou seja, uma mulher não precisa necessariamente de um homem para salva-lá, e na verdade, esse pode ser o papel de outra mulher.
Infere-se, portanto, que é de extrema importância que os autores de novos contos de fadas tenham a preocupação em não diminuir a mulher a um papel tão passivo nas histórias, além de não romatizar o que de fato é o amor. Assim, poderão encorajar meninas ao redor do mundo a buscar sua independência, e a não associarem a fecilidade apenas ao amor.