A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 02/11/2022

O Artigo 5° da Constituição de 1988 determina que todos os cidadãos brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, entretanto, ao se observar a sociedade, é facilmente perceptível a desigualdade entre gêneros, na qual a mulher é colocada como um indivíduo inferior. Ao analisar o tema mais a fundo, é possível perceber que essa distinção é construída desde a infância, muitas vezes influenciada pelos contos de fadas, que em suas obras possuem essa forte diferença entre os papeis femininos e masculinos.

Primeiramente, é importante entender a origem dos grandes contos clássicos, que nasceram no século XVII, que, inspiradas nas fábulas, normalmente tentavam trazer uma lição de moral. Logo, essas obras infantis, desde o começo, procuram moldar os pequenos leitores com o que era concluído pelos textos, porém, o desenvolvimento da história, que refletia a sociedade da época que foi escrita, acabava sendo repassado para as crianças, educando-as com as ideias antiquadas de inferioridade feminina.

Um outro ponto a ser analisado, é como a tentativa de mudança nos conteúdos infantis ainda é vista com maus olhos. Um grande exemplo são os filmes produzidos pela Disney, que, no século passado, adaptava os contos clássicos quase sem nenhuma alteração, perdurando os esteriótipos de princesa indefesa e principe corajoso, mas, nas últimas produções, tenta quebrar com esses padrãoes e, muitas vezes, não é bem recebida. É possível perceber a crítica aos filmes como “A princesa e o Sapo”, que tem uma protagonista forte, decidida e trabalhadora e no live-action de “Mulan”, que tenta dar ainda mais ênfase aos feitos da guerreira do que a animação.

Portanto, para que a nova geração crie uma sociedade mais igualitária, é necessário que o Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, investir e estimular projetos que busquem produzir conteúdos infantis que coloquem a mulher em papel de destaque, mostrando ao jovem público como as mulheres e homens possuem as mesmas capacidades. Assim, as crianças seriam educadas desde cedo para construir uma sociedade mais igualitária em questão de gênero, aproximando do que é previsto por lei.