A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 02/11/2022

Os contos de fadas, que há séculos surgiram e se propagaram através da oralidade, poemas e se perpetuaram em livros, inicialmente, além de marcarem as posições sociais da época, como os papéis femininos e masculinos, surgem como um alerta para as crianças: histórias com lemas de não confiar em estranhos, não se aventurarem sozinhas e sempre demonstrarem respeito. Considerando o poder da leitura na formação de um indivíduo, as personagens dessas histórias exercem uma influência sobre as crianças e consequentemente, para a sociedade, através de suas idealizações, principalmente apresentando a figura feminina como um ser subalterno.

Nesse contexto, nas histórias mais conhecidas como A Pequena Sereia, Branca de Neve e Cinderela, as personagens principais representam uma romantização, o ideal da personificação da mulher: moças bonitas, fracas e ingênuas, que no fim, sempre precisam recorrer a ajuda de um homem forte e poderoso para que tenham um final feliz, se casando com seu salvador. Essa “fórmula mágica” dos contos influencia aqueles que estão lendo e, considerando a leitura como papel importante na formação cognitiva das crianças, elas passam a levar esse “roteiro” para suas vidas e encarar como verdade, como discorrido pelo doutor em história da arte, o austriaco Bruno Bettelheim.

Como consequência da verdade encarada pelos jovens leitores, essa idealização, principalmente da figura femíneo, é levada para a vida e consequentemente para as relações sociais. A partir disso, meninas passam a crescer tentando ser uma representação da delicadeza e quando isso não ocorre, gera extrema frustração. Através disso, empresas como a Disney passaram a criar histórias como Merida e Moana, que apresentam jovens fortes, fora do “antigo” padrão, como forma de representar uma alternativa e reverter o ideal que propragavam, no intuito de apresentarem outras opções.

Conforme apresentado acima, os contos de fadas infantis possuem grande poder de influência cognitiva de milhões de crianças que a consomem e, por fim, acabam moldando a sociedade e as formas de representação idealizada, principalmente da figura da mulher. Como forma de reverter essa representação arcaica, é necessário que empresas, como cinematográficas e editoras de livros passem a selecionar melhor o que compartilham, tendo em mente seu poder de influência, para assim, criarem conteúdos que inspirem jovens a serem mulheres fortes, que moldam seu próprio destino. Para que assim, as próximas gerações tenham maiores possibilidades de escolha, podendo assim, minimizar os impactos que os contos de fadas geraram para a sociedade contemporânea.