A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 01/11/2022

Os contos de fadas seguem as seguintes etapas: a princesa fica em uma situação de perigo, o príncipe a salva, eles se casam e vivem felizes para sempre. Dessa for- ma, a romantização da mulher como alguém que precisa ser resgatada e está ape-nas em busca de um “homem perfeito”, reforça a representação da inferioridade das mulheres na sociedade. Nesse sentido, o preconceito estrutural e a negligência estatal favorecem para a persistência do tema.

Nesse viés, vale ressaltar que o preconceito estrutural intensifica a problemática

no país. Conforme o livro “Não se enrola, não” da escritora brasileira Isabela Frei-tas, a ideia de que “voçê deve encontrar sua metade da laranja” é um conceito ul-trapassado, pois uma mulher não precisa estar namorando para se sentir comple-ta. Outrossim, as mulheres investem cada vez mais em sua independência emocio-nal e financeira, garantindo o seu bem-estar independente de estar em um relacio-namento.

Ademais, é preciso analisar como a ineficiência do Estado em investir na educa-ção da população, ajuda na temática. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Por isso, percebe-se que a educação é a principal ferramenta para o desen-volvimento nacional e para desconstruir estigmas criados sobre às mulhueres, as-sim a forma na qual o ensino é aplicado, influência diretamente na formação dos valores morais dos cidadãos. Isto é, uma mulher que cresce lendo contos de fadas tradicionais sem a orientação de que aquelas histórias são apenas fictícias, vai cres-cer em busca da idealização do “felizes para sempre” e consequentemente, acabar se decepcionando com a realidade.

Diante do exposto, cabe ao Ministério de Educação, criar projetos educativos que recriem e divulguem contos que retratem a mulher como sinônimo de força, ao in-vés de frágil. Sobretudo em escolas e em redes sociais, para que as crianças já se-jam alfabetizadas com o conhecimento sobre a igualdade de gênero, a fim de des-romantizar a inferioridade feminina. Com tais medidas espera-se solucionar o pro-blema.