A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 02/11/2022

O escritor e filósofo inglês Aldo Huxley diz que “os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal declaração, analisada sob a atual conjuntura do país, nos permite refletir sobre a romantização nos contos de fadas, especialmente no tocante à representação da inferioridade nas mulheres. Esse tema merece ser melhor discutido em âmbito nacional, pois reflete inúmeros preconceitos. Nesse sentido, fatores como a persistência da sociedade patriarcal e o modelo de educação brasileiro são os principais elementos relacionados à problemática.

Inicialmente, a Constituição Federal de 1988, apelidada de “Constituição Cidadã”, ampliou os limites tradicionais da democracia brasileira ao estender o direito à igualdade entre homens e mulheres. Todavia, a análise do discurso dos contos de fadas retrata o modelo de sociedade patriarcal reforçado no Brasil, em que a mulher é totalmente dependente do homem e suas expectativas se limitam a atividade doméstica. Esse cenário é perpetuado pela inexpressiva representação das mulheres na política, o que asfixia as principais pautas femininas.

Ademais, o modelo de educação contemporâneo não fomenta o viés crítico nas escolas, sobretudo o desenvolvimento da capacidade de interpretar o conteúdo ideológico da leitura. Nesse sentido, a educação brasileira é focada no pragmatismo que consiste na aprendizagem de conteúdos superficiais e sem relação com a realidade. Segundo o pedagogo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação é um processo político que visa despertar os indivíduos de sua opressão e gerar ações de transformação social. Assim, faz-se mister mudar esse paradigma social para estimular o rompimento de um padrão cultural excludente.

Dessarte, é importante que o Estado tome providências para alterar o quadro atual. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação substitua a distribuição, nas escolas públicas, de contos de fadas que retratam o estereótipo feminino para publicações lúdicas que emancipem as mulheres. Isso seria feito por meio de selos com a seguinte informação: “este livro não contém preconceito de gênero”. Com efeito, será possível enfrentar os fatos, a exemplo da metáfora de Huxley, e mudar a realidade.