A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 03/11/2022
No filme “Shrek” é perceptível um enredo baseado nos contos de fadas, em que uma princesa precisa ser salva por um homem, que ela está indefesa e que apesar de saber artes marciais a jovem acredita nessa dependência. Nesse sentido, é visto que a romantização dessas histórias têm influência negativa na realidade feminina, inferiorizando-as, baseada no machismo social e na autopercepção das mulheres.
Primeiramente, é preciso avaliar o papel do patriarcado. Dessa forma, a sociedade era regida por homens e nos entretenimentos isso era refletido, visto que os escritores dos contos infantis refletiam a percepção social daqueles tempos em que foram escritos. Prova disso é que a empresa que mais produziu conteúdo infantil e mais famosa do mundo, Wall Disney, foi fundada por um homem em 1923 e que suas animações diminuíam o poder feminino. Portanto, fica claro que a forma de funcionamento do povo teve implicações na produções culturais.
Além disso, a percepção feminina sofreu influência importante no caso. Desse modo, com uma criação que lhes foi ensinado que o homem quem salva a mulher ou detém o poder, como príncipes e reis, há um espelhamento dessa esperança exacerbada de encontrar este tipo de representação na vida real. Isso é comprovado com a alteração mental “Complexo de Cinderela”, termo fundado em pesquisas na Universidade de Delhi, em que mulheres esperam uma conexão perfeita com os seus pretendentes, como nos contos de fadas. Por isso, é perceptível que existem influências negativas das histórias na realidade.
Em síntese, há a necessidade de alteração do cenário. Logo, empresas produtoras de histórias devem mudar suas obras, por meio de filmes e livros que apresentem mulheres mais independentes e autossuficientes, como o filme Valente, a fim de se apresentar uma realidade condizente e que traga benefícios para o público feminino que os consomem. Outrossim, o Ministério da Cultura deve trabalhar para controlar as produções que representem o machismo na sociedade e evitem que elas sejam apresentadas, por meio de um sistema de denúncias de obras inferiorizadoras em números telefônicos ou sites que estarão abertos publicamente, para que se tenha a correta percepção do funcionamento social. Com isso, em um longo prazo, será possível uma igualdade generalizada e o fim de textos que tirem o valor das mulheres.