A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 04/11/2022
O Romantismo, movimento artístico do século XIX, abriga obras pautadas na idealização, de modo que às mulheres eram atribuídas características ligadas à perfeição e ao feminino, resultando em uma imagem de submissão e de depen- dência. Analogamente, a inferiorização das mulheres ainda é retratada na contem- poraneidade, especialmente no que concerne à sua representação em contos de fadas. Tal cenário antagônico é fruto não somente de uma mentalidade patriarcal enraizada, mas também da falta de espaço literário destinado a mulheres.
Antes de tudo, é fulcral pontuar o patriarcalismo como promotor de ideologias depreciativas do potencial feminino. O determinismo é uma corrente que alega que o indivíduo é influenciado pelo ambiente em seu entorno. Sob essa óptica, é evidente que, em uma sociedade marcada pelo machismo histórico, a inferioriza-ção do sexo feminino é um aspecto coercitivo, banalizado e considerado normal. Desse modo, pensamentos que romantizam a mulher tendem a aparecer em contos de fadas, uma vez que a literatura infantil é um mecanismo moralizante.
Ademais, vale destacar que a desigualdade de gênero no ambiente profissional continua sendo uma realidade, o que acarreta certa depreciação com o trabalho de escritoras. Diante dessa perspectiva, é importante realçar que a maior parte dos contos de fadas foi baseada em livros dos irmãos Grimm, e o fato de que eles viveram em uma época na qual as mulheres eram naturalmente inferiorizadas resulta na transferência de tais valores para seus contos. Nesse prisma, a escassez de literárias na literatura infantojuvenil impede que elas possam concretizar a imagem de mulheres reais através da ficção, haja visto que elas seriam as mais propícias a impulsionar os conceitos de independência e força feminina.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham mitigar os efeitos negativos da romantização das mulheres na arte pueril. Assim, a fim de mudar a mentalidade que será passada para as crianças, cabe ao Ministério da Educação e Cultura garantir que as próprias mulheres possam criar uma representação feminina adequada aos gêneros literários infantis, através da organização de palestras e encontros com escritoras, divulgando suas obras. Somente assim, o corpo social poderá se distanciar da idealização romântica.