A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 04/11/2022
“Temos que ser a mudança que queremos ver”. Esse pensamento,do ativista social Mahatma Gandhi, pode fazer alusão ao tema da romantização da representação feminina, atribuía aos espaços culturais de entretenimento, excercidos de forma a colocar as mulheres em patamares não reconhecidos por elas. Afinal, essa temática ainda é uma infeliz realidade que tem como origem inegável a manutenção dos espaços de poder por grupos privilegiados.
Desde a formação do trato social, é notório o quanto o machismo e o patriarcado dificulturam a inserção das mulheres nos espaços de direção ou supervisão. Isso é fruto de uma cultura massante, iniciada desde a infância, de diversas obras que tinham abordagens tratando o sexo feminino como mais frágil, portanto, incapaz. Essa análise pode ser exemplificada por meio da criação da Disney “Bela adormecida”, a qual exemplifica a espera da princesa pelo seu salvador para não perecer. Ademais, nota-se também criações com conteúdos questionáveis sobre o comportamento feminino no relacionamento familiar, dado que a mulher precisava assumir um papel apenas de cuidadora do lar e esposa proativa. Ratifica-se essa assertiva por meio do livro “Gabriela, cravo e canela”, do escritor Lima Barreto, o qual relata a vida servil da protagonista, que deveria estar sempre à disposição de seu marido arrogante e ignorante, o personagem Nacib, o qual é a representação do papel inferior de Gabriela naquele convívio.
Outrossim, nota-se o quão a indústria cultural utiliza das obras literárias e cinematográficas para que essa vicissitude ainda permaneça no cenário atual. Isso pode ser associado à elaboração de conteúdos para o público infantojuvenil, já que segundo a obra freudiana “A psicopatologia da vida cotidiana” essa parcela da sociedade ainda não está com condições plenas de avaliação, com ideais inadequados da percepção feminina sobre suas lutas e história.
Destarde, faz-se necessária a inclusão de mais mulheres no campo político, na área do Poder Legislador, para que através de leis orientadas para o viés desse público, por exemplo, a legitimação da veracidade dos conteúdos expostos pela mídia, a sociedade seja contemplada com mais discurssões sobre tal problema. Dessa forma,haverá a garantia do primeiro artigo dos Direitos Humanos,o respeito.