A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 10/11/2022
A escritora Amanda Lovelace, em seu livro “A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro”, remodela através da poesia os contos de fadas, trançando um paralelo com a realidade feminina do século XXI. Nesse contexto, relacionando esta obra com histórias antigas, percebe-se que cada vez mais essa visão romantizada da mulher está restaurando-se. É prudente apontar, diante disso, que a representação que tínhamos da figura feminina contribuiu e contribui para a objetificação da mesma e seu errôneo papel na sociedade.
A princípio, é lícito salientar que a mulher não deve ser tratada como um objeto de desejo, ou um prêmio a ser conquistado. Parafraseando o crítico de cinema Nathan Rabin: existe uma criatura feminina cinematográfica cintilante e superficial que só existe na imaginação febril dos escritores homens, a Manic Pixie Dream Girl (garota maníaca fada dos sonhos). Dessa forma, essas mulheres existem a partir da idealização do homem, vivendo para satisfazê-los e ajudá-los quando preciso - mas não muito, pois sua função não é o da heroína -, resultando numa figura feminina que não possui ambições próprias, e sem um papel que a valorize.
Ademais, é válido frisar que o lugar de mulher é onde ela quiser, e não é uma construção natural e biológica da sociedade. Para entender essa lógica, pode-se mencionar o Studio Ghibli - um dos maiores produtores de animação japonesa -, nele, vemos mulheres ocupando papéis de poder que antes eram destinados aos homens, sendo verdadeiras guerreiras e salvadoras de suas histórias. Desse modo, um reconhecimento e incentivo social podem ser significativos para uma perspectiva de futuro mais empoderada.
Portanto, são necessárias medidas que ajudem no processo de reconstrução social, apresentação e integração da figura feminina. Neste âmbito, cabe ao Estado, juntamente com a Secretária de Cultura, investir em obras literárias e cinematográficas que tenham mulheres no protagonismo, por meio de políticas públicas de incentivo a trabalhos feministas, escritas e dirigidas por mulheres. Feito isso, o sistema poderá garantir uma reconstrução de identidade realista.